Festival apresenta novidades na música clássica

Reunir durante pouco mais de dez dias compositores e intérpretes do mundo inteiro para cerca de 20 apresentações; e, com elas, dar ao público a chance de identificar o que de novo está sendo feito na música clássica brasileira e mundial. É com essa idéia que começa hoje em São Paulo e Santos o Festival Música Nova, o maior evento latino-americano dedicado à música contemporânea. Desde sua criação, o encontro pretendeu ser o espelho de uma certa música produzida no século 20. E chega à 39.ª edição com o mesmo propósito, mostrando os rumos da composição atual e vislumbrando um presente em que, mais do que dogmas ou regras rígidas, vivemos o momento da reconciliação: ou seja, da utilização de diversas técnicas e gêneros na busca, antes de tudo, de um estilo pessoal. Pluralidade é a ordem do dia. O que fica claro na própria figura de seu criador e ainda hoje diretor artístico, Gilberto Mendes. Aos 81 anos, Mendes continua sendo uma das vozes mais lúcidas da composição brasileira: ao mesmo tempo em que sintetizam parte da produção musical brasileira no século 20, suas peças também abrem caminhos para as novas gerações de compositores. É o caso de Rastro Harmônico, cuja estréia é, desde já, um dos destaques da programação deste ano do festival. "Uma experiência com linguagens diversas, de todos os tempos e lugares, em continuidade, sobrepostas, transfiguradas", diz ele, explicando a peça. O termo música nova (neue musik) surgiu na década de 60, na Alemanha, em encontros promovidos por compositores como Pierre Boulez e Stockhausen em Darmstadt, "a maior usina experimental de música da época", nas palavras do maestro Julio Medaglia. Para lá convergiu uma série de instrumentistas e compositores (entre eles, Mendes e outros brasileiros, como Rogério Duprat) interessados em explorar novas possibilidades sonoras. Em outras palavras, a intenção era livrar-se das "amarras" da música do passado e encontrar novas formas de expressão que, nos anos seguintes, fizeram com que nossa própria idéia de música fosse repensada. Para muitos, significou a grande evolução na história da música; para outros, foi responsável, com peças consideradas "cerebrais", "acadêmicas", pelo afastamento do público das salas de concerto. 39.º Festival de Música Nova. Amanhã, 20h, São Pedro, Orquestra Sinfônica Municipal de Santos; sábado, 20h, São Pedro, Ensemble L´Itineraire; dom., 18h, São Pedro, Quarta D; 2ª, 20h, Aliança Francesa, música eletroacústica com Flô Menezes e Grupo Akronon; 3ª, 20 h, Aliança Francesa, Núcleo Hespérides - Música das Américas; 4ª, 20h, Aliança Francesa, Ensemble Fórum; 5ª, 20 h, Masp, Nova Camerata da Universidade Federal do Paraná. Santos Teatro Municipal Brás Cubas: sábado, 20h30, Orquestra Sinfônica Municipal de Santos; dom., 20h30, Núcleo Hespérides - Música das Américas; sábado, 20h30, Madrigal Ars Viva, Coral Municipal de Santos e Quarta D; 3ª, 20h30, Ensemble L´Itinéraire; 4ª, 20h30, Quarteto de Cordas Martins Fontes e Nova Camerata da Universidade Federal do Paraná; 5ª, 20h30, Modern Classics (Max Lifchitz) e Duo Ancuza Aprodu-Thierry Miroglio. Centro Universitário Maria Antônia (90 lugares). R. Maria Antônia, 295, 3255-7182; Theatro São Pedro (636 lugares). R. Barra Funda, 171, 3667-0799; Teatro Sesc Anchieta (328 lugares).R. Dr.Vila Nova, 245, 3234-3003; Teatro Aliança Francesa (230 lugares). R. General Jardim, 182, 3123-1752; Masp (374 lugares). Av. Paulista 1.578, 251-5644; Teatro Sérgio Cardoso (862 lugares). R. Rui Barbosa, 153, 288-0136; Teatro Municipal Brás Cubas (544 lugares). Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias, Santos. Grátis. Até 18/8

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