Festival Amazonas de Ópera chega ao fim

A última récita da ópera A Flauta Mágica, de Mozart, amanhã à noite no Teatro Amazonas, encerra as apresentações da quinta edição do Festival Amazonas de Ópera, que durante pouco mais que um mês levou a Manaus uma parcela bastante expressiva de artistas, técnicos e produtores brasileiros. Foram, ao todo, quatro produções - duas remontagens (La Bohème, de Puccini, e A Ópera dos Três Vinténs, de Kurt Weill) e duas concepções originais (A Flauta Mágica e Manon, de Massenet), apoiadas em orçamento de R$ 1,4 milhão, bancado pelo governo do Amazonas e pela Funarte.Para o maestro Luiz Fernando Malheiro, que assinou a direção artística do festival, o saldo foi bastante positivo, em especial quando se leva em consideração as proporções do projeto que superou as edições anteriores em número de pessoas envolvidas, novas produções, quantidade de ensaios e dificuldades técnicas de produção. "Deu para perceber que a estrutura do festival está mais azeitada e os prognósticos para a próxima edição são bastante animadores", disse Malheiro em entrevista.Mozart em 2002 - Malheiro já pensa no festival de 2002 que, como este ano, deve ter quatro produções. Não há nomes fechados, mas o maestro adiantou à reportagem que uma ópera de Mozart deve estar presente. "A cada ano pretendemos apresentar uma ópera desse compositor, prática bastante saudável para qualquer orquestra", comentou, acrescentando que a escolhida deve ser "Idomeneo", que segundo ele "se já foi montado no Brasil, sem dúvida alguma foi há muito tempo."Outra orientação que deve ser mantida é o resgate do repertório francês que, na opinião do maestro, é muito pouco valorizado no País. "Depois da Manon deste ano, talvez façamos outra ópera de Massenet ou, então, algo de Gounod, como Romeu e Julieta, por exemplo." Produções - Hoje é a última apresentação da ópera Manon, de Massenet, menina dos olhos da quinta edição do festival. Com direção cênica de Aidan Lang - já conhecido por seus trabalhos no Teatro Alfa, em São Paulo - e regência do próprio Malheiro, a produção foi o grande destaque da programação do festival, ao reunir um elenco de belas vozes, bastante equilibradas, tanto musical quanto cenicamente.David Miller, Rosana Lamosa, Paulo Szot, José Gallisa, Marcos Menescal e Eduardo Amir foram alguns dos cantores responsáveis por levar ao palco a concepção de Lang, para quem o principal atrativo e, ao mesmo tempo, a principal dificuldade da ópera, está no fato de que tudo ocorre de modo muito sutil, uma vez que as emoções que motivam os personagens - em especial Manon - recriadas por Massenet (que compôs a ópera a partir de uma novela do Abade Prevost) permanecem escondidas sob máscaras impostas pela sociedade. Essa idéia guiou toda a montagem que ressalta o hábil trabalho do compositor na recriação de diferentes universos, como o do casal apaixonado, o da aristocracia, da corrupção e o da Igreja.O que tornou isso possível de ser mostrado foi a presença de elementos que unificam toda a ação, uma espécie de ponto de partida teórico. "Ao primeiro olhar, parece difícil compreender como a ópera se mantém coesa. São cinco atos, seis cenas, locações diferentes. Daí a importância de ter algo que unisse toda a ação", observou Lang.O resultado são cenas que fazem com que o público chegue à ponta da cadeira, como o dueto entre Manon e Des Grieux (interpretado pelo jovem norte-americano David Miller, de 28 anos) em Saint Suplice, e o dueto final, que antecede a morte da personagem presa entre dois mundos - o da riqueza e o da paixão - interpretada por Rosana Lamosa.A produção de A Flauta Mágica trouxe nos papéis de Tamino e Pamina o tenor Luciano Botelho e a soprano Denise Tavares. Como Papageno, o hilariante Sandro Christopher, acompanhado por uma Papagena de peso, a soprano Ruth Staerke. Pepes do Valle interpreta Sarastro; José Gallisa, o orador; e Celinelena Ietto, a Rainha da Noite. Completam o elenco as belas damas da rainha: Flávia Fernandes, Denise de Freitas e Thaís Bandeira. A regência é de Marcelo de Jesus, que faz sua estréia como maestro em ópera, e João Malatoan assina a concepção cênica.

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