Festa na entrega do Rival-BR de Música

O Jongo da Serrinha (antepassado do samba, ainda cultivado na favela da zona norte do Rio), a escola de música de Zeca Pagodinho em Xerém (para 300 crianças, em Duque de Caxias, no Grande Rio) e a tradição verde-e-rosa de Jamelão (escolhido como homenageado no ano que vem) foram os mais aplaudidos na entrega do Prêmio Rival-BR de Música, na noite de terça-feira. A premiação, uma parceria entre o teatro privado mais antigo do Rio e a estatal de petróleo, pretende incentivar a produção musical independente.Oito categorias receberam o troféu e R$ 8 mil em dinheiro. O compositor Humberto Teixeira, parceiro de Luiz Gonzaga em grandes sucessos, recebeu como homenagem um show em que o compositor Wagner Tiso vestiu seus xotes e baiões com teclados e cordas e uma constelação de cantores nordestino/cariocas as interpretaram (Sivuca, Gilberto Gil, Lenine, Fagner, Elba Ramalho, Zeca Padoginho e madame Carmélia Alvez, entre outros). O espetáculo será lançado em CD e DVD pela Biscoito Fino.A festa teve uma pitada de amadorismo que aumentou o charme. Como resistir à voz embargada de Leandra Leal, neta do fundador do Rival, apresentando os indicados ao lado do ator Lázaro Ramos (o Madame Satã)? E à confusão emocionada de Denise Dumont ler um texto sobre seu pai, Humberto Teixeira? A entrega dos prêmios foi rápida. Elza Soares (melhor cantora pelo disco Do Cóccix até o Pescoço mandou um representante do grupo Nós do Morro, da favela do Vidigal, na zona sul. Sérgio Santos (CD, por Áfrico) e o grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado (grupo) só agradeceram, mas o produtor Paulinho Albuquerque, que recebeu o troféu de compositor por Guinga (por Cinema Baronesa), chamou atenção para a dificuldade de acesso dos independentes ao rádio e à televisão. Olívia Hime, da Biscoito Fino, recebeu o prêmio de produtor por Hermínio Bello de Carvalho (por O Samba é Minha Nobreza) e Tia Marisa, do Jongo da Serrinha (resistência), arrasou com elegância. Zeca Pagodinho (prêmio atitude) quebrou o clima, ao perguntar: "Tem que falar alguma coisa?".Se dentro do teatro faltava espaço até para os garçons circularem de tanta gente que foi prestigiar a iniciativa, na Cinelândia, a poucos metros, centenas de pessoas assistiram à festa confortavelmente instaladas nos bares da região. Aí, todo mundo entendeu por que Leandra Leal, chamou sua mãe, a atriz Ângela Leal, atual administradora do teatro, de xerife da Cinelândia. Por onde ela passava, era aplaudida pelos frequentadores do bares.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.