Fernanda Porto revigorada no segundo CD

Depois do sucesso com Sambassim, Só Tinha de Ser com Você e Tudo de Bom, do primeiro álbum, lançado em 2002, a paulistana Fernanda Porto acabou virando uma espécie de porta-voz do drum´n´bass brasileiro.Conquistou público e crítica, vendeu 105 mil exemplares do CD e teve faixas tocadas no rádio e bombando nas pistas daqui e de fora. Esta semana sai pela Trama seu segundo disco, Giramundo. Batendo no velho clichê, ela mudou ligeiramente no trabalho atual, mas mantém a estrutura. Isso é o que se observa também nos discos de Bebel Gilberto, Vanessa da Mata, Seu Jorge, do grupo Ludov e dos baianos Lampirônicos. O que os aproxima é que além de incensados expoentes dos anos 2000, todos lançaram o segundo álbum este ano diferentes do primeiro em graus variados. De todos, Fernanda Porto é a que mais se expande na diversidade rítmica. Revela até uma porção afro-baiana ao abrir o CD com Giramundo, meio ijexá, meio zouk, de canto limpo, caloroso e letra leve, amorosa. Soa como uma espécie mais cool de Daniela Mercury, que fez o caminho inverso. Tem cara de hit de verão.Giramundo avança em relação ao outro disco, quando ela apaixonada pelo drum´n´bass e com tudo o que vinha acontecendo precisava provar que seria possível aquela mistura da eletrônica com ritmos brasileiros. A música de trabalho ainda é um exemplar do que fez sucesso no álbum de estréia. Trata-se da versão drum´n´bass para a clássica Roda Viva (em dueto com o autor Chico Buarque). A faixa integra a trilha do filme Cabra-Cega, de Toni Venturi, que será exibido pela primeira vez na quinta-feira no Festival de Brasília. O disco prossegue em levadas de reggae (De Graça), pop-rock (Pensamento 4, Assalto, O Tempo Pifa, Estrela Pop), pseudoblues (Sólida Pedra) e baladas (Bicho do Mato, Seu Lugar e Outra Margem do Rio).Fernanda costuma musicar versos e não o contrário, como faz a maioria. Sempre gostei de muitos ritmos principalmente por isso. Não imagino fazer frevo ou reggae, mas a letra me leva para isso. É como se fosse uma trilha, uma vontade de colocar minha música a serviço da letra. E elas falam de carnaval, futebol, tempo, dinheiro, indecisão, desejos, solidão (necessária ou angustiante), ambição.

Agencia Estado,

23 de novembro de 2004 | 21h32

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