Fenômeno pop vem a São Paulo

Vem aí o mais fulminante e controverso fenômeno do mundo pop atual, o grupo Bloodhound Gang. Eles se apresentam no dia 26 em São Paulo e no dia 27 em Belo Horizonte, como parte de sua turnê latino-americana - que passará ainda pela Argentina, Venezuela e pelo México."Quero conhecer um lugar que amigos meus visitaram aí e disseram que é muito interessante, Goiânia", disse à reportagem o vocalista Jimmy Pop, um dos fundadores do polêmico quinteto, que todo mundo já deve ter visto na TV cantando The Bad Touch, vestidos de macacos, enquanto assistem a um programa do Discovery Channel que mostra primatas exatamente no momento da cópula.A linha escrachada do grupo já lhes trouxe diversos problemas. A Phuong, uma associação de mulheres asiático-americanas, protestou publicamente contra sua canção Yellow Fever, alegando que é sexista, racista e homofóbica. E um grupo de estudantes da University of Maryland foi à luta contra o Bloodhound Gang alegando que suas letras e videoclipes são ofensivos contra "asiáticos, asiático-americanos, cristãos, mulheres e deficientes, entre outros"."Não acho que somos racistas, nós somos meio negros", disse Jimmy Pop. "Eu acho que a América é que é racista e vê problemas onde não existem; nós não estamos cantando coisas que estimulem a violência contra negros ou asiáticos", ele afirma. Mas e sobre as mulheres? Alguns trechos das letras do Bloodhound Gang são ostensivamente sexistas. Jimmy também não concorda."Em Yellow Fever, eu falo sobre mim, sobre eu e uma namorada asiática fazendo amor", ele pondera. "Você acha que é racista ou sexista ou homofóbico fazer sexo com alguém?", ele diz. "Os ativistas querem fazer os jovens pensarem que quem transa com alguém odeia esse alguém, mas ninguém é estúpido de engolir isso", lembra.O show do Bloodhound Gang é um tour de force adolescente, quase uma olímpiada de besteirol. Ao fundo do palco, há um cartaz onde se lê: Backstreet Boys. O cartaz está riscado com um xis e, abaixo dele, com caligrafia tosca, está o nome do grupo real que se apresenta na noite, o Bloodhound Gang.Eles atacam os colegas do show business e fazem guerra de garrafas de água com a platéia. O baixista do grupo tem sua roupa rasgada durante os confrontos de palco e, em seguida, é fotografado peladão numa Polaroid por Jimmy Ali - sem o baixo. As fotos vão sendo arremessadas para a platéia. "Eu acho que o público é o mais importante", diz Jimmy Pop. "Nós queremos que eles se divirtam e tenham um bom show, o restante é besteira", afirma.São adorados pelos adolescentes e pelas garotas. Jimmy Pop Ali e amigos tocavam numa banda cover do Depeche Mode em 1993, quando resolveram fundar sua banda na mesma linha rap metal que celebrizou o Red Hot Chili Peppers. A diferença é que não levam nada a sério, tocando adiante um senso de humor de parede de banheiro de rodoviária.Apesar disso, Jimmy Pop parece mais sério do que sua música sugere a princípio. "Mick Jagger deixou aqui US$ 5 milhões e uma criança", comenta o repórter. "O que o Bloodhound Gang vai deixar?" Ele não engole a isca. "Só quero conhecer o Brasil e não conheço Mick Jagger", ele responde, seriamente. "Tudo o que queremos é continuar fazendo discos e se divertindo com a música até onde for possível", afirma.Antecipando a chegada do Bloodhound Gang aos trópicos, a Universal Music acaba de lançar Hooray for Boobies, um disco que reúne todo esse ideário edificante. Como a cândida carta de um fã a uma estrela na canção The Ballad of Chasey Lain.Baseado nesse tripé podreira-guitarras-gritaria eles chegaram a assinar com a Columbia Records em 1995 e lançaram seu primeiro álbum, Use Your Fingers. O disco simplesmente não aconteceu, o que causou uma debandada na primeira formação.Ali e seu parceiro Lupus Thunder, guitarrista, recrutaram então Evil Jared, colega de escola de Ali e membro (êpa) do grupo Vaginal Bloodphart. Este, por sua vez, trouxe para o grupo o baterista Spanky G. Depois, incorporaram o DJ Q-Ball.Renovado como um quinteto, voltaram à carga e gravaram One Fierce Beer Coaster, lançado pelo indie Republic Records em setembro de 1996. O disco foi recomprado e devidamente relançado pela Geffen Records, após o sucesso de uma faixa, Fire Water Burn.Bloodhound Gang - Dia 26, às 21 horas. De R$ 10,00 a R$ 40,00. Censura não definida. Credicard Hall. Av. das Nações Unidas, 17.955, tel. 5643-2500.

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