Feliz, Bebel Gilberto volta ao País e faz shows em São Paulo

Depois do Rio e Campinas, cantora chega na capital paulista para apresentações no Sesc Pinheiros

Roberta Pennafort do Estado de S. Paulo,

10 de novembro de 2008 | 16h37

Bebel Gilberto está feliz. Ajudou a eleger Barack Obama (cidadã norte-americana, votou pelo correio, do Rio), está de volta ao Brasil e faz show próprio por aqui depois de um ano - ela esteve no Rio e em São Paulo em julho para participar da homenagem a João Donato, dentro das comemorações dos 50 anos da bossa nova. Depois de uma noite no Circo Voador, no Rio, na semana passada, e outra no Sesc Campinas, domingo, ela se apresenta nesta terça e quarta-feira no Sesc Pinheiros.  Veja também:Bebel Gilberto canta 'Mulher sem Razão'   A volta não foi só ao País, mas também ao passado. Aos 16 anos, ela foi uma das fundadoras do Circo - surgido no verão de 1982, quando Bebel tinha 16 anos e a lona ainda estava no Arpoador. Esta foi sua primeira vez no novo Circo, na Lapa. A cantora, nascida e residente em Nova York (no East Village), sonhava em cantar sob a nova lona e, na noite de quinta-feira passada, quando "realizou o sonho", parecia estar, de fato, bastante contente. "I love you, Circo Voador!", disse, em dado momento. No repertório, canções de Momento (disco que desde o ano passado vem sendo mostrado na Ásia, Austrália, Europa, México e Estados Unidos), como Bring Back the Love, Os Nova Yorkinos, Cadê Você? e Momento.   Ela também homenageia o parceiro e amigo Cazuza, que, com ela, integrou o grupo Pára-Quedas do Coração, um dos fundadores do Circo de 82, e sempre a incentivou a compor. Da parceria com ele e Dé Palmeira, canta Preciso Dizer Que Te Amo e Mulher Sem Razão, esta menos conhecida e gravada por Adriana Calcanhotto em seu último CD. Bebel é acompanhada de sua banda, formada pelo japonês Masaharu Shimizu (guitarra e baixo), o americano Thomas Bertlett (piano e teclados) e os brasileiros Magrus Borges (percussão) e Pedro Baby (guitarra), que são também seus parceiros. A presença de Pedro, filho de Baby Consuelo e Pepeu Gomes, a motivou a cantar Acabou Chorare (Galvão/Morais Moreira) - o clássico dos Novos Baianos cujo título foi dado por ela, menininha, durante um ensaio do grupo, ao qual foi levada pelo pai, João Gilberto.  Baby Consuelo estava no Circo Voador (assim como vários outros artistas) e mereceu um afago da cantora, de cima do palco, em Acabou Chorare e também em Baby (Caetano Veloso), de seu disco Bebel Gilberto (2004). Dele, também entrou o sucesso Aganju (Carlinhos Brown).  Do primeiro disco, Tanto Tempo (2000), que a revelou para o mundo e vendeu mais de um milhão de cópias, ela lembra Bananeira (João Donato/Gilberto Gil). Bebel ainda faz uma homenagem a Caetano, com quem ela cantou num show fechado, no Rio, recentemente. O baiano está presente não só com Baby, mas também com Tempo de Estio e Menino do Rio. O público carioca - que desta vez pôde vê-la pagando pouco (os ingressos custaram R$ 40, bem menos do que o valor de costume) - gostou e se espremeu sob a lona madrugada adentro, fugindo da chuva.  A filha de João Gilberto e Miúcha e seus músicos entram em estúdio em janeiro, para gravar o novo disco. "Já estou me preparando para um outro momento", brinca, sem querer dar muitos detalhes sobre a próxima empreitada ("ainda é muito cedo", justifica). Antes disso, em dezembro, ela tem shows marcados em Nova York. A cantora costuma vir ao Brasil duas vezes por ano. Gosta de estar entre os amigos, no Rio, e de aproveitar as estadas para "se cuidar". No dia da entrevista ao Estado, chegou com o semblante relaxado de quem tinha passado por uma sessão de acupuntura. "Quando venho para cá, vou à praia, ao Jardim Botânico, vejo a família, fico cuidando do meu bem-estar." No fim do ano passado, ela fez show no Morro da Urca, no Rio (em outra noite chuvosa), e na Via Funchal. Este ano, não conseguiu ver o show do pai pelo cinqüentenário da bossa nova - nem no Brasil, nem no exterior -, porque estava-se apresentando nas mesmas noites que ele. Da homenagem a João Donato, lembra-se com carinho - dividiu o palco com a amiga Adriana Calcanhotto e conheceu talentos jovens, como Roberta Sá, Marcelo Camelo e Fernanda Takai. Essa vinda ao Circo Voador a enche de memórias do passado. "Tenho as melhores lembranças do mundo. A parada de fundação do Circo foi incrível. A gente fechou a Avenida Vieira Souto (da Praia de Ipanema). Tivemos noites inenarráveis. Muita gente legal estava ligada a esse movimento. Até hoje meus maiores amigos são de lá, a Katia B., o Sergio Maciel, a Alice Andrade", rememora. "Só me lembro de coisa boa. Aquilo foi um sonho que virou outra coisa. Eu me sinto uma heroína por ter participado", diz. Bebel não estava no Rio quando da reabertura do Circo na Lapa, em 2004, mas fez questão de participar da festa dos 20 anos da lona original, em 2002. "É um projeto maravilhoso, e não tinha lugar melhor do que a Lapa." Ela gostou tanto da idéia de cantar naquele palco que o incluiu em meio à temporada nos Sescs. "Foi uma idéia de última hora", conta. Na cidade em que viveu pouco menos da metade de sua vida, também se apresentou durante desfile de uma grife no Claro Rio Summer, semana de moda realizada na semana passada.  Bebel Gilberto. Teatro do Sesc Pinheiros (1.010 lug.). Rua Paes Leme, 195, tel. 3095-9400. Terça e quarta-feira, 21h. R$ 30

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