Febre do funk chega atrasada e sem brilho

Funk desce o morro e embrulha classe médiaFora do Rio, o funk perde suas característicasBailes em São Paulo foram assunto da semanaBailes Funk da elite carioca mantiveram identidadeFunk deve fazer ponte com o hip-hopPor Janaina Rocha e Rodrigo CarneiroA epidemia é geral. Na semana passada, a passagem da equipe Furacão 2000 por São Paulo foi noticiada como o marco definitivo de que o funk e seus personagens ? popozudas, pixadões, tigrões, cachorras etc.- extrapolaram definitivamente os morros cariocas para ?dominar? o Brasil. Mas sua embalagem sensual, em certos momentos quase pornográfica, é forjada. O bailão de verdade que abalou os anos 90, arena para boa parte da juventude suburbana carioca, e hoje item obrigatório no lazer da classe média, é uma falseta: fora do Rio de Janeiro, não passa de um funk coreografado, sem catarse. E esse ?embrulho?, feito pela mídia e pela indústria fonográfica, estende-se à sua própria denominação: de funk, o que hoje se ouve não tem nada. Em verdade, a base para versos que já fizeram apologia do tráfico de drogas e agora atestam as potencialidades das cachorras, é o miami bass. No entanto, alguns funkeiros cariocas, carregados de ideologia, pretendem aproveitar a recente moda para aproximar-se do movimento hip-hop paulistano. De qualquer forma, as apostas das gravadoras são altas. E o ritmo, tenha o nome que for, já se impõe como o mais popular deste verão.

Agencia Estado,

19 de fevereiro de 2001 | 17h35

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