Fase mais roqueira de Rita Lee, com o Tutti Frutti

Músico baiano Moisés Santana realiza documentário sobre a matriarca do rock brasileiro

17 Julho 2010 | 06h00

Miss Brasil 2000. Rita Lee na transição entre o Tutti Frutti e a parceria com Roberto de Carvalho

 

Lauro Lisboa Garcia

 

SÃO PAULO - Cada fase de Rita Lee - de Mutantes a Roberto de Carvalho - daria um filme, mas o produtor, compositor, cantor e jornalista Moisés Santana deteve-se no período em que a matriarca do rock brasileiro fez parceria com a banda Tutti Frutti. De 1973 a 1978 eles tocaram juntos em seis LPs e dois compactos, Arrombou a Festa e Lá Vou Eu. O projeto inicial era de um livro. A ideia do filme veio depois, para celebrar os 35 anos do mais significativo álbum da banda, Fruto Proibido. Não deu por falta de patrocínio, mas Santana já começou a filmar depoimentos e vai atrás de captar recursos para lançar o longa-metragem nos cinemas em 2011. "Não fiquei pensando se vou fazer um ‘filme’, apenas me juntei a algumas pessoas e disse: vou contar uma história", diz o artista baiano. Essas pessoas são Junae Andreazza, Igor do Vale, Maíra Soares, Rose Toffoli e Denis Fernandes.

 

 

Para quem quiser ter uma ideia do que se trata, o programa Vitrine, da TV Cultura, que vai ao ar hoje às 20 horas, exibe uma entrevista com Santana e trechos de depoimentos gravados com as cantoras Ná Ozzetti e Pitty, o guitarrista Luiz Carlos Carlini, que foi do Tutti Frutti, e o jornalista Pedro Alexandre Sanches.

 

Além da história do grupo em si, o objetivo de Santana é fazer um recorte da juventude brasileira nos anos 1970, na base da trinca "sexo, drogas e rock’n’roll", falar das "implicações que eram fazer rock no país do samba; ter uma primeira mulher liderando de verdade uma banda; uma banda tentando ser profissional e tudo mais que advém da situação." Santana também produziu um especial sobre os 35 anos de Fruto Proibido, que a Rádio Cultura AM (1200 Khz) reprisa neste sábado, 17, às 10 horas da manhã.

 

Esse disco até hoje impressiona roqueiros pela potência em termos de melodias, letras e timbres - e tem histórias muito curiosas por trás delas. Carlini lembra que compôs um dos clássicos daquele disco para uma namorada. "Acho que a gente estava brigado, ou ia se separar, algo assim. É de onde veio o tema de Agora Só Falta Você. Fiz a melodia e a letra até a metade mais ou menos. Aí levei pra Rita, ela ouviu, gostou e fechamos a música os dois."

 

Outro episódio curioso é sobre o solo de guitarra de Carlini que faz toda a diferença em Ovelha Negra e quase não entrou. A música tinha sido escolhida para ser o hit do disco pela gravadora. Mas Carlini sonhou com um solo de guitarra e quis mostrar para o produtor, Andy Mills. "Não podemos mexer porque a música está pronta", ele disse. Aí Carlini voltou outro dia e insistiu. Então ele deixou e Carlini tocou o que ele tinha pensado. Depois que ouviu, Andy tirou a fita do gravador e falou que ele não ia mexer em nenhuma nota do que tinha tocado", lembra Santana. E foi assim que o solo foi parar no disco, tocado de improviso. "Ele conta isso no filme, é emocionante."

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