David Loh/Reuters
David Loh/Reuters

Fãs famosos de Michael Jackson lamentam a morte do ídolo

Artistas que aprenderam com o Rei do Pop falam sobre a genialidade do garoto que surgiu no Jacksons Five

26 de junho de 2009 | 10h06

"Meu irmão, o lendário rei do pop, Michael Jackson, faleceu na quinta-feira 25 de junho de 2009 às 14h26. Acredita-se que ele tenha sofrido um ataque cardíaco em sua casa. Nossa família pede que a mídia respeite nossa privacidade neste momento difícil. E que Alá esteja com você, Michael. Amo você." As palavras são de Jermaine Jackson, quatro anos mais velho que Michael. Jermaine havia começado a carreira junto com o irmão, no grupo Jacksons Five, um ícone do soul, que entraria para o hall da fama da gravadora Motown, junto com um time de pesos pesados como Steve Wonder, Marvin Gaye.

 

Michael Jackson nos deixou. Há alguns anos que nenhuma música nova tocava nas rádios ou circulava na internet. O último álbum inédito do ídolo, Invincible, de 2001, não causou o mesmo estardalhaço que os anteriores. Só teve uma música timidamente tocada nas rádios, You rock my world. Mas é impossível não dar o devido valor ao criador de hits como Thriller e Black or White.

 

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Os grandes nomes do mundo pop de hoje certamente se inspiraram em Michael. Prova disso é a versão comemorativa de 25 anos de Thriller, lançada no ano passado, com versões atuais de clássicos do álbum e participação de artistas como Fergie e Akon. Em frente ao hospital que o cantor ficou internado antes da morte, fãs tocavam seus sucessos com iPods ligados a caixas de som.

 

"Michael Jackson me mostrou que na verdade você consegue visualizar o ritmo. Ele fazia a música ganhar vida! Ele me fez acreditar em mágica! Eu vou sentir falta dele!", diz o rapper P. Diddy. Já o outro rapper, Ludacris, vai além: "Se não fosse por Michael Jackson, não seria o que sou hoje. Sua música e seu legado viverão para sempre. Preces pela família."

 

A imprensa estrangeira, principalmente o site de celebridades www.tmz.com foi atrás de outras grandes estrelas, todas fãs de Jacko, para comentar o fim da trajetória do Rei do Pop.

 

Para Celine Dion, a morte de Michael é um fato difícil de acreditar: "Estou chocada. Estou perplexa com essa tragédia. Michael Jackson foi um ídolo por toda minha vida. Ele não era apenas uma pessoa talentosa, era único - um gênio. É como quando Kennedy morreu, quando Elvis morreu. Minha solidariedade está com a família. É uma grande perda e ainda não parece realidade."

 

A cantora Madonna, a Rainha do Pop, muitas vezes tida como rival de Jacko, quase fez uma parceria com o cantor na canção In the closet, do álbum Dangerous (1991). O dueto não ocorreu, por uma série de motivos. Mas a admiração dela sempre existiu. Inclusive, no começo da carreira, Madonna chegou a inserir trechos de Billie Jean em Like a Virgin, com direito a vestido de noiva e tudo.

 

"Não consigo parar de chorar por causa dessa notícia triste. Sempre admirei Michael Jackson - o mundo perdeu um de seus grandes, mas sua música viverá para sempre. Meu coração está com seus três filhos e com os outros membros de sua famíila. Deus o abençoe", diz a estrela.

 

Um outro astro, que já foi chamado de "o novo Michael Jackson", Justin Timberlake diz que aprendeu muito com o Rei: "Não consigo encontrar as palavras certas para expressar minha profunda tristeza com a partida de Michael. Nós perdemos um gênio e um verdadeiro embaixador, não apenas da música pop mas de toda a música. Ele foi a insipração para múltiplas gerações e eu vou sempre me lembrar com carinho dos momentos que dividi com ele n palco, tudo o que aprendi sobre música com ele, e o tempo que passamos juntos. Meu coração está com sua família e entes queridos."

 

E como o mundo pop é uma verdadeira corte, não poderia faltar a princesa. Britney Spears já se referiu a Michael como o "artista do século". Foi uma confusão na hora de falar o texto em uma premiação da MTV que homenagearia o cantor ("Para mim, ele é o artista do século"), mas ele pareceu gostar da ideia e vestiu a camisa, recebendo um prêmio que só existia na sua cabeça - mas certamente no coração de diversos fãs. Confusões a parte, muitos concordam com o que Britney disse naquele momento. A cantora teve poucas palavras sobre a partida do astro: "Ele era um homem maravilhoso, e sentiremos uma grande falta." O rei e a princesa já se apresentaram juntos, cantanto The way you make me feel, do álbum Bad (1987), em um evento.

 

Quando resolveu se lançar sozinho na música, Michael chamou Quincy Jones para ser seu produtor. Jones já havia produzido aclamados álbuns para os Beatles. Off the wall, de 1979, já começava com um arrasa quarteirão: Don't stop till you get enough. As 10 milhões de cópias do álbum fizeram a dupla repetir a dose no trabalho seguinte, o lendário Thriller - o álbum mais vendido na história da indústria musical. É quase certeza de que a marca de mais de 120 milhões de álbuns vendidos jamais será superada na era do download. Para Jones, a parceria dos dois foi coisa do destino: "Estou completamente devastado com essa notícia. Não tenho palavras. A divindade uniu nossas almas e nos permitiu que fizéssemos o que fizemos nos anos 80. Até hoje sua música é tocada em todos os cantos do mundo, e o motivo para isso é que ele tinha tudo - talento, graça e profissionalismo. Perdi meu irmãozinho hoje e parte da minha alma se foi com ele."

 

Além de um duradouro clipe, praticamente um filme de curta metragem em que Michael fugia dos zumbis junto com sua garota, mas depois colocava todo mundo para dançar, Thriller transcedeu barreiras impostas pela sociedade naquele início de anos 80. A MTV não passava clipes de artistas negros. As rádios de soul, funk e R&B não tocavam "músicas de branco". Para gravar Beat it, foi chamado o músico Eddie van Halen, para um estridente e distorcido solo de guitarra. O solo - ora, um rock - abriu as portas para os brancos nas rádios negras, mas a façanha mesmo foram os zumbis abrirem as portas da MTV.  "Estou realmente chocado, da forma como tenho certeza que o mundo está, ao ouvir a notícia. Tive o prazer de trabalhar com Michael, em Beat it, em 1983 - uma das memórias mais orgulhosas da minha carreira. Sentiremos falta de Michael. Ele pode descansar em paz", disse Van Halen.

 

Até Paul McCartney participa do disco, em The girl is mine. "Me sinto privilegiado em ter trabalhado com Michael. Ele era um rapaz imensamente talentoso e com uma alma. Sua música será lembrada para sempre, e minhas memórias do nosso tempo juntos serão felizes."

 

John Landis, o diretor do clipe de Thriller, disse que "Eu sou sortudo o bastante de ter conhecido e trabalhado com Michael em sua ascensão. Ele era um talento extraordinário e grande estrela internacional. Tinha uma vida atribulada, e apesar de seus dons, restava uma figura trágica. Minha esposa Deborah e eu sempre tivemos grande afeição por ele."

 

A grandiosidade estava em tudo o que Michael fazia. Alguns destes "feitos grandiosos" acabaram se tornando atos de megalomania mesmo. O fato é que por corriqueiro que fosse, um acontecimento com Michael era sempre um acontecimento marcante. Foi assim quando decidiu se casar. Com quem? Com a filha de Elvis Presley, ora. Lisa Marie e Michael ficaram pouco tempo juntos. Talvez apenas o suficiente para que tivessem um filho - que Lisa mais tarde diria que foi "um presente" para o marido, aficionado por crianças. "Estou tão triste e confusa, com todas as emoções possíveis. Meu coração está partido por causa de seus filhos, que eu sei que eram tudo para ele, e por sua família. Essa é uma perda imensa em tantos níveis, as palavras me escapam."

 

Mas o casamento foi apenas um dos pontos polêmicos da carreira do astro. Abusos infantis, uso de medicamentos, plásticas para se tornar igual a Diana Ross, clareamento de pele... A lista é extensa. Mas no fundo, ele tinha um bom coração - e suas músicas assim o demonstravam. Um de seus ex-grarda-costas lembra alguns episódios: "Ele é o homem mais mal compreendido do mundo. Todos achavam que ele era um louco esquisito, mas quando você está com ele ele é tão normal como todo mundo. Não acho que ele se sentia famoso como todo mundo achava, ele não pensava assim. Ele era um sujeito carinhoso, que fazia de tudo para ajudar os doentes. Uma noite em Londres ele quis ver pessoas sem-teto. Ele mandou uma porção de pizzas em segredo. O cara tinha um bom coração. Ele costumava se disfarçar e fugir do quarto do hotel e fazer coisas normais em lojas, as pessoas não sabiam quem ele era, mas isso dava a ele um gosto da vida real."

 

O governador do Estado da Califórnia e ex-ator Arnold Schwarzenegger diz que "Ele foi uma das personalidades mais influentes e icônicas da indústria da música. Nossos corações estão com a família Jackson, com os filhos de Michael e com seus fãs ao redor do mundo."

 

A atriz Jane Fonda teve seus dias de proximidade com o astro: "Estou chocada. Meu amigo, Michael Jackson, está morto. Ele morou comigo por uma semana no set de Um Lago Dourado, depois de Thriller."

 

Para explicar um talento tão grande, só mesmo se baseando em fé. É o que faz Cher - diva com autoridade o suficiente para reconhecer talentos natos: "Estou tendo um milhão de reações diferentes das que achei que teria. Ele era um grande cantor - Deus dá certos dons e esta criança era uma criança tocada por esse talento. Ele cantava como ninguém e conseguia conectar-se às pessoas."

 

Pessoa próxima do ídolo, o reverendo e ativista de direitos humanos Al Sharpton sentirá falta de sua dança: "Achávamos que o veríamos fazer o moonwalk mais uma vez. Como amigo de Michael por mais de 35 anos, peço às pessoas do mundo que rezem por ele e por sua família."

 

Michael se foi. Talvez para fazer seu "passo da lua" em outros lugares. Quem define como foi o dia é a cantora Kelly Clarkson: "Um dia triste em Hollywood. Você sempre estará no meu coração."

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