Fãs e artistas se despedem de James Brown

Líderes de direitos civis, artistas e fãs fizeram no último sábado um funeral animado para James Brown, cujas músicas e mensagens marcaram uma geração de mudança revolucionária para os negros norte-americanos. Até o cantor Michael Jackson fez uma rara aparição em público. Ele entrou no local e foi aplaudido enquanto a banda de Brown, The Soul Generals, tocava velhos sucessos para uma multidão de nove mil pessoas, a maioria negros. Em um breve discurso, Jackson, vestido com jaqueta de couro preta, calças pretas e óculos escuros, disse que viu Brown na televisão quando tinha 6 anos de idade, ficou "hipnotizado" e decidiu seguir os passos dele. "James Brown é a minha maior inspiração", disse Jackson, que passou pouco tempo nos Estados Unidos desde que foi absolvido das acusações de abuso de menores, em 2005. O corpo de Brown estava em um caixão dourado aberto na frente do palco da Arena James Brown, que foi rebatizada em homenagem ao nativo mais famoso de Augusta no mês de agosto. Ele morreu de parada cardíaca no Natal, aos 73 anos. O lendário cantor, conhecido como "Padrinho do Soul", estava vestido com terno preto e luvas e camisa cor de rubi. Nas lapelas e nas pontas dos sapatos havia jóias. Foi a terceira troca de roupas em três dias, informou a CNN, depois do funeral privado da última sexta-feira e da exposição do corpo no Teatro Apollo, de Nova York, no dia anterior. Brown promoveu e popularizou o estilo funk e influenciou a música e a dança no mundo inteiro desde os anos 1950. Ele é reverenciado por artistas de hip-hop, que usam as batidas do artista nas suas músicas. "O mundo inteiro mudou de ritmo por causa de James Brown", disse o líder de direitos civis Al Sharpton. "Ninguém começou mais baixo e terminou mais alto do que James Brown." Negro e orgulhosoGrande parte da ênfase no funeral foi colocada sobre a política e sobre a apaixonada defesa que Brown fez dos direitos civis, no movimento que acabou com o sistema brutal de segregação racial surgido da escravidão e que continuou existindo no sul dos EUA até os anos 1960. A música de Brown de 1968 "Say It Loud (I´m Black and I´m Proud)" ("diga alto - sou negro e orgulhoso") tornou-se o hino dos movimentos por direitos dos negros e símbolo das conquistas. Em discurso apaixonado, o comediante e ativista Dick Gregory relembrou o ambiente de opressão racial em que Brown viveu. "Não conseguimos isso (direitos civis) pela bondade do coração da América", disse. "Não conseguimos isso porque eles mandaram os Marines...Conseguimos porque, com amor e disposição de morrer, dissemos ´vamos mudar isso´". O cantor de rap M.C. Hammer e o baixista Bootsy Collins também participaram do funeral e o líder de direitos civis Jesse Jackson fez o discurso final. Alguns fãs esperaram desde as 21h de sexta-feira pelo início da exposição pública do corpo de Brown e muita gente não conseguiu entrar no ginásio. Brown nasceu na Carolina do Sul e começou a carreira musical na cadeia, ainda menor de idade. Mudou-se depois para Augusta. A cidade ergueu uma estátua para Brown, que ganhou reputação pela caridade que fazia e por comer em restaurantes locais. A vida pessoal de Brown foi turbulenta e em 1988 ele foi preso por três anos por acusações de posse de armas e drogas. Ele fez 119 sucessos, incluindo "Please, Please, Please", "Papa´s Got a Brand New Bag", "It´s a Man´s, Man´s, Man´s World" e "Living in America", mas sua influência foi muito além. Brown, que insistia em ser chamado de senhor Brown, dizia ser o homem que mais trabalhava no setor artístico e fez mais de 100 shows ao vivo neste ano. Ele iria se apresentar na Times Square, em Nova York, na noite de Ano Novo.

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