Falta de adversários de peso contra Justin Timberlake denuncia o fiasco do pop em 2013

Nos finalistas ao Grammy, há um nítido reflexo do desgaste do gênero no ano passado

Gabriel Perline, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2014 | 15h02

Com a avalanche de lançamentos no cenário pop concentrada no segundo semestre de 2013, a expectativa era ver uma briga de gigantes nas premiações musicais que se sucederiam dali em diante. Mas a realidade foi o inverso, frustrante até para os mais otimistas.

E nas categorias do gênero no Grammy há um nítido reflexo do desgaste pop. Há muito marketing, investimentos milionários em videoclipes, sem contar as promessas de revolução musical e... A qualidade foi aquém.

Pelas faltas de opções, Justin Timberlake deve reinar sozinho nas três categorias em que concorre (performance de duo ou dupla com Suit & Tie, parceria com Jay-Z; apresentação solo pela música Mirrors e álbum vocal pop, com The 20/20 Experience - The Complete Experience). O único que pode deixá-lo sem algum dos troféus é - o sempre excelente - Bruno Mars. Mas o hiato de sete anos do ex-'N Sync e seu retorno meteórico, somado às boas vendas do novo disco, devem pesar no voto do júri.

 

 

Para reforçar esta ideia, basta uma simples observação nas listas de indicações. Em "Melhor performance de duo ou dupla", a presença de Rihanna e Mikky Ekko com a regular Stay é um exemplo de falta de opção para a categoria. A música surgiu como single em 2013, mas existe desde 2012, quando a cantora lançou Unapologetic, seu 7.º álbum de estúdio.

Já na categoria "Melhor apresentação solo pop", Katy Perry jamais deveria aparecer. Pelo menos não com Roar, música que a colocou na disputa. Se ela ao menos conseguisse cantá-la ao vivo tão bem quanto fez no estúdio, ninguém tiraria o troféu dela. Mas se o Grammy levar em consideração o teatro e o playback, aí sim teremos uma surpresa.

Mas talvez o principal erro seja a indicação de Robin Thicke com seu Blurred Lines na disputa pelo prêmio "Melhor Álbum Vocal pop". Tirando o single chiclete que dá nome ao álbum, o resto é fraco. Lorde e Lana Del Rey também são coadjuvantes nesta categoria com seus bons discos, mas inconsistentes para disputar algo com The 20/20 Experience - The Complete Experience, de Justin Timberlake, e até mesmo o Unorthodox Jukebox, de Bruno Mars.

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