Falso Olodum é preso no Paraná

A Polícia Civil do Paraná deteve anteontem à noite 19 integrantes do grupo Filhos do Olodum, que tinha um show em uma casa noturna, fazendo-se passar pelo conhecido grupo baiano Olodum. Todos foram autuados, mas ontem apenas quatro permaneciam presos na Delegacia de Ordem Social para investigações. Eles são acusados de estelionato, crime contra propriedade intelectual e contra o consumidor.O presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues, viajou anteontem a Curitiba para esclarecer o caso. "Tem que dar um basta nisso", afirmou. "A marca Olodum é patenteada e tem 21 anos de história." Segundo ele, já houve denúncias de grupos utilizando-se do nome Olodum no Paraná, São Paulo e Santa Catarina. "É um atentado aos direitos autorais do músicos do Olodum, à marca e a todo o trabalho que a gente faz."Rodrigues foi alertado por uma fã, que lhe telefonou em Salvador (BA). A apresentação seria anteontem no Moinhos São Roque, mas eles foram detidos no hotel pouco antes. A direção da casa alegou que também foi enganada por uma pessoa que se disse empresário do grupo Olodum, José Virgílio de Oliveira. Ontem, a polícia ainda não o tinha encontrado em São Paulo, onde residiria. "Não sabemos nem se existe", disse um policial. Os números de telefones fornecidos pelo falso Olodum acessam apenas uma secretária eletrônica. O líder do Filhos do Olodum, Wagner Santos, um dos detidos, disse que tudo não passou de um "equívoco" e jogou a culpa no empresário."Ele me prejudicou, vendeu uma coisa que não era verdadeira", disse. "Só quando chegamos aqui vimos a irregularidade na divulgação." No entanto, o grupo ocupou anteontem, por volta de meio-dia, cerca de cinco minutos, ao vivo, do Jornal Estadual, da Rede Paranaense de Televisão, retransmissora da Rede Globo, apresentando-se como o verdadeiro Olodum e que estaria em Curitiba gravando um CD. Ontem, a emissora pediu desculpas, alegando que também foi enganada.A direção da Moinhos São Roque afirmou que vai processar judicial a empresa que vendeu o show como se fosse do Olodum verdadeiro. Os valores dos ingressos começaram a ser devolvidos ontem. A polícia descobriu que o mesmo grupo esteve em junho em Curitiba e deixou uma dívida de aproximadamente R$ 25 mil em hotel, estúdio de gravação e agência de turismo. De acordo com Santos, nesse caso a empresa que os contratou para gravar jingles políticos não os pagou e, por isso, eles também não quitaram a dívida.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2000 | 17h37

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