Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Falem com Rob

Do hip hop de cá ao jazz de lá, o cornetista Rob Mazurek se torna a ponte que faltava

Roberto Nascimento - O Estado de S.Paulo,

25 de novembro de 2011 | 21h17

A vibrante teia de música instrumental paulistana tem como um de seus caciques o cornetista Rob Mazurek, americano de pouco papo e muita música que construiu uma vitalíssima ponte sonora entre São Paulo e Chicago nesta última década. Rob, ou "Maza", como preferem os cúmplices da boemia, é o elo inusitado entre a música experimental norte-americana e a MPB. Há boas chances de encontrá-lo no palco, tecendo caos e exuberância ao lado de Yusef Lateef, Pharoah Sanders e William Parker, mestres da música improvisada que estiveram por aqui recentemente, assim como é possível ouvi-lo nos arranjos de Toque Dela, novo disco de Marcelo Camelo.

É o idealizador por trás do aclamado grupo de música contemporânea Chicago Underground - e de seu irmão brasileiro, o São Paulo Underground, que tem dado excelentes frutos - e já colaborou com lendários grupos de rock experimental, como Tortoise e Stereolab. Rob lança, esta semana, o projeto Ekundayo (disponível no site ropeadope.com), uma colaboração que une o hip hop paulistano de Rodrigo Brandão aos esforços vanguardistas de Naná Vasconcelos. "Não me considero um músico de free jazz", conta Rob, negando o jeito mais simples com que sua música pode ser rotulada. "Para começo de conversa, os grandes já não gostavam do termo. Miles, Duke, Mingus. Estes caras faziam música contemporânea, nada mais", completa.

É, de fato, uma forma mais precisa de descrever o tipo de vanguardismo que Rob e outros expoentes da música livre têm trilhado nesta última década, caminhos sonoros que agregam elementos variados - de música de ruído, ao pop, ao eletrônico - sem necessariamente enveredar pelo tipo de improvisação frenética e cacofônica associada a pilares do gênero, como Ornette Coleman e Sun Ra.

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