Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Noite do metal no Rock in Rio proporciona miscelânea sonora

Faith No More faz show explosivo no último dia do rock; diferenças musicais marcaram atrações do Palco Mundo

João Paulo Carvalho, Guilherme Sobota, Pedro Antunes e Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2015 | 00h16

Tinha tudo para ser pesado. E foi, como mandava o figurino. Fato é que a última noite do metal da sexta edição brasileira do Rock in Rio proporcionou aos fãs uma miscelânea sonora dentro do heavy metal. Slipknot, Faith no More, Mastodon e De La Tierra, as principais atrações de sexta, 25, no Palco Mundo, tinham duas coisas em comum: o peso ensurdecedor das guitarras e as batidas frenéticas da bateria. Só. No mais, eram completamente diferentes. Surgiu ali uma boa oportunidade para perceber quanto o estilo e seus subgêneros são distintos e não podem ser inseridos dentro do mesmo pacote.

A dissonância antagônica de maior intensidade ficou por conta dos shows mais aguardados da sexta-feira: Slipknot e Faith no More. Enquanto os mascarados norte-americanos oriundos das profundezas do Estado de Iowa faz um nu-metal mais sombrio, a banda liderada pelo excêntrico vocalista Mike Patton entra na linha do funk. O metal alternativo do Mastodon e o rock latino do De La Tierra seguem uma proposta mais “ousada”. O caleidoscópio sombrio, portanto, parecia uniforme para os leigos de plantão. Não era, de fato. E isso ficou evidente diante do público heterogêneo do palco principal.

Os principais símbolos do embate são os vocalistas de cada um dos grupos. Eles, inclusive, já roubaram a cena em outras edições do Rock in Rio. Corey Taylor, que comandou grande show do Slipknot em 2011 e foi promovido a headliner deste ano, e Mike Patton, que à frente do Faith no More, tirou holofotes do Guns N’ Roses na edição de 1991, realizada no Estádio do Maracanã. 

Enquanto Corey Taylor é mais performático e berra sem medo de sofrer represálias sonoras, Mike Patton usa a técnica e o charme. Embora para os ouvidos dos mais críticos tudo não passe de um grande colapso de histeria, Corey e Mike são opostos. Como água e vinho, sem entrar no mérito qualitativo da coisa toda.

O comportamento de ambos também é algo a ser comparado. Mike Patton é mundialmente reconhecido pelo seu grau de insanidade nos palcos. O vocalista já jogou urina de um fã na cabeça e mostrou o próprio pênis durante uma apresentação. Mais inibido, Corey Taylor esboça dor nos agudos e graves. O sentimento ficou ainda maior depois da morte do então baixista Paul Gray, em 2010, por conta de uma overdose. “Aquele ano de 2011 – quando se apresentaram pela última vez no Rock in Rio - foi muito importante para que a gente soubesse o que fazer após tudo o que aconteceu”, explicou o vocalista em recente entrevista ao Estado. 

O Faith no More, no entanto, tratou de ignorar essas diferenças musicais. Endiabrados, os “garotos” voltaram com tudo para o Rock in Rio depois de 24 anos de ausência. O que se viu ali foi um Mike Patton inspirado. Trajado de branco, falou algumas palavras em português, brincou com o público e desfilou uma enxurrada de hits. De Epic, passando por Ashes To Ashes, Midlife Crisis e Easy. Um momento muito emocionante aconteceu em I Started A Joke, cover dos Bee Gees. Mike soltou a voz e lembrou seus melhores momentos à frente do grupo. O vocalista do Faith No More estava mesmo inspirado. Na metade do show, Mike pulou da passarela que fica em frente ao Palco Mundo, tentando ir direto ao público, mas caiu no fosso onde ficam os fotógrafos e a grade. 

Destaques. Mais cedo, quem abriu os trabalhos no Palco Mundo foi o De La Tierra. Formada pelos músicos Andreas Kisser (Sepultura), Andrés Giménez (guitarra e vocal do A.N.I.M.A.L), Sr. Flávio (baixo e vocal, Los Fabulosos Cadillacs) e Alex González (baterista do Maná), a banda trouxe um pesado metal latino para esta edição do Rock in Rio. O quarteto, que já lançou um disco próprio (De La Tierra, de 2014), tem ainda no currículo um show de abertura para o Metallica. 

No repertório, a banda tocou seus dois principais singles, em espanhol, Maldita Historia e San Asesino. O melhor momento do grupo de Andreas Kisser foi o cover da música Polícia, clássico dos Titãs. Naquele momento, uma enorme roda foi aberta no Palco Mundo e fãs de várias idades cantaram ao hit de maneira ensandecida. No final da apresentação, o vocalista e guitarrista Andrés Giménez se jogou no meio da multidão. 

Já o show do Mastodon, representante da nova onda do metal norte-americano, foi baseado nas canções dos discos Leviathan (2004), The Hunter (2011) e Once More’ Round the Sun (2014). As versões ao vivo são bem fiéis às de estúdio. Os integrantes Brann Dailor, Brent Hinds, Bill Kelliher e Troy Sanders misturaram as mais variadas vertentes do rock para chegar num som com identidade peculiar. 

ALTOS

Pontos altos

Pontualidade. Os shows, mais uma vez, começaram no horário estabelecido. Não houve nenhum atraso significativo.

Som. Tanto o Palco Mundo quanto o Sunset não tiveram problemas técnicos de áudio.

BAIXOS

Filas. Ir ao banheiro no início da tarde foi um problema para quem estava na Cidade do Rock.

Público. Comparado aos outros dias, a Cidade do Rock estava bem vazia. Nunca foi tão fácil transitar por ela durante todo o festival.


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