LENA TRINDADE|DIVULGAÇÃO
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Fagner fala do novo álbum e da poesia de Ferreira Gullar

Cantor que faz show hoje em SP relembra histórias do parceiro de composição

Amilton Pinheiro / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2016 | 05h00

Quando o poeta Ferreira Gullar voltou do exílio, em 1977, Vinicius de Moraes, que era seu amigo, marcou um encontro entre ele e Fagner para que o cantor e compositor cearense conhecesse o maior poeta vivo brasileiro, nas palavras do “poetinha”. “Foi engraçado quando Vinicius me contou isso, antes de o Ferreira chegar ao encontro. Olhei para ele surpreso e disse: ‘Mas não é você o maior poeta brasileiro?!’. Ele riu e falou que não, era Ferreira Gullar”, revela Fagner.

Depois desse encontro promovido pelo amigo em comum, Ferreira Gullar e o cantor estabeleceriam uma bem-sucedida parceria que resultaria em músicas como Traduzir-se, Me Leve (Cantiga Para Não Morrer), Contigo, Rainha da Vida e a mais conhecida pelo público, que se tornaria uma das canções mais populares da carreira do cantor para o bem e para o mal, Borbulhas de Amor, que Gullar versou de uma música do cantor dominicano Juan Luis Guerra (Borbujas de Amor).

Fagner que está produzindo o seu 39.º álbum, já entrou em contato por telefone com o poeta para comporem juntos novamente, mas Gullar não se mostrou tão animado. Argumentou que está velho e agora falta inspiração. “Eu também estou ficando velho, não é só ele”, comenta rindo o cantor e completa: “Mas sei que vou ter que visitá-lo para dar uma injeção de ânimo para que ele aceite o convite e consiga fazer o poema que eu vou musicar”.

A reportagem do Estado ligou para Gullar, que tentou desconversar sobre o assunto. “Fagner entrou em contato, mas não estou tendo mais inspiração. Falei para ele que tudo bem, mas, de fato, estou ficando velho e as coisas hoje não saem tão fáceis como antigamente.”

Independentemente da parceria com o poeta, Fagner procurou os compositores com quem já trabalhou, entre eles, Clodô, Fausto, Chico César e Zeca Baleiro, para fazer as músicas do novo álbum. Por conta da agenda lotada de shows que tem que fazer por todo o País, o cantor informou que não está encontrando muito tempo para se dedicar ao disco como gostaria, mas compôs três músicas, entre elas uma com Moacir Franco, que está cantando nos shows. “A música está fazendo o maior sucesso e teve uma colaboração do Zeca Baleiro. Quero gravá-la em estúdio e parar um pouco para me dedicar ao trabalho com meus parceiros”, conta ainda Fagner.

O cantor tem uma relação forte com a poesia desde o início da sua carreira, em 1973, quando lançou o disco considerado pela crítica com um dos melhores da música brasileira Manera Fru Fru, Manera, que trazia, nas suas 12 faixas, poemas de Patativa do Assaré, Sina, e Canteiros, de Cecília Meireles (o cantor teve que tirar o poema de Cecília Meireles musicado por ele, porque a família da poeta entrou na justiça na época).

Uma das melhores canções do cantor cearense, Fanatismo nasceu de poema de autoria da portuguesa Florbela Espanca, que ela fez para o seu irmão. “Minh alma, de sonhar-te, anda perdida/ Meus olhos andam cegos de ter ver/ Não és sequer a razão do meu viver/ Pois que tu és já toda minha vida”.

“Desde cedo, fui acostumado a ler poesia. Tenho uma dívida com todos os poetas que li ao longo de minha vida. Sempre procurei trazer para minhas canções esse lugar reservado ao poema”, explica Fagner.

No show que fará neste sábado, 11, no Tom Brasil, em comemoração ao Dia dos Namorados, o cantor vai apresentar o seu repertório de hits como Deslizes, Fanatismo, Eternas Ondas, Noturno, Mucuripe, entre outras. Ele diz que não se cansa de cantar essas músicas porque o público gosta e exige. “Não tem como eu não cantá-las, mas sempre mesclo com músicas do lado B da minha carreira e algumas surpresas, que não posso revelar.”

As “eternas canções” de Fagner ganharam um novo frescor e timbres fortes muito por conta da qualidade da sua banda, que o acompanha há algum tempo, Cristiano Pinho (guitarra e viola), Robertinho Marçal (bateria), André Carneiro (baixo), Marcus Vinnie (teclados), o fiel parceiro Manassés (viola) e um trio de metais formados por músicos cearenses. “Minha banda só tem fera, é muito boa mesmo. São músicos que vieram somar as minhas canções.” E Vinicius de Moraes também compôs com o cantor Fagner, fizeram O Leão, para o público infantil.

FAGNER. Tom Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, Santo Amaro, 4003-1212. Hoje (11), às 22h. R$ 120.

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