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Fábrica de vinis aumenta maquinário e prevê crescimento de 60%

Segundo produtores, venda de discos dobrou de 2012 para 2013

Lucas Nobile, Especial para O Estado de S. Paulo

22 de março de 2014 | 16h00

Depois de um crescimento significativo nas vendas em 2013 – passando de 36 mil unidades em 2012 para 59 mil no ano passado – e da grande demanda por discos de vinil, a Polysom decidiu aumentar seu maquinário. Com isso, a empresa pode chegar a fabricar 20 mil LPs e 10 mil compactos por mês, o que representa um aumento de 35% na capacidade de produção.

“Vemos o crescimento como inexorável e sem limite de tempo. Esse processo que vem ocorrendo nos últimos cinco anos, no Brasil e no mundo, provou que não se trata de uma simples moda passageira. O vinil voltou a fazer parte da vida de muitas pessoas que veem nele a mágica perdida no modo de se ouvir música”, diz João Augusto, dono da Polysom. Única fábrica de vinis da América Latina, a empresa trabalha com tiragem inicial média de 500 unidades de LPs para cada artista. O campeão de vendas é A Tábua de Esmeralda, clássico de Jorge Benjor de 1974 que teve 2.700 unidades vendidas.
Além de relançar títulos importantes da música brasileira, a Polysom vem lançando em vinil trabalhos de artistas contemporâneos. Entre eles, nomes como Fernanda Takai, Rodrigo Amarante, O Rappa, Maria Rita, Vanguart, Marcelo Jeneci, Cícero, Silva e Los Sebosos Postizos.

“A nossa missão principal é fabricar discos para clientes diversos, notadamente os independentes, e não só licenciar e vender discos prontos. Essa segunda atividade só acontece porque a Polysom entendeu que seria a melhor forma de aquecer um mercado que ainda estava muito morno. E a estratégia funcionou perfeitamente, uma vez que o vinil no Brasil cresce em proporções assustadoras”, explica João Augusto.

Em 2010, ano em que a fábrica retomou suas atividades – com outros donos, ela havia sido criada em 1999 e funcionou até 2007, em Belford Roxo, subúrbio do Rio –, a Polysom vendeu 25.400 discos. No ano seguinte, o número caiu para 15.800, devido a “dificuldades enfrentadas para a implantação de um sistema mais confiável e com mais qualidade”, segundo João Augusto. Em 2012, foram pouco mais de 36 mil unidades, número que quase dobrou em 2013.
Para o relançamento dos discos, a Polysom trata com as gravadoras que detêm os direitos sobre as gravações originais. Em alguns casos, as negociações se arrastam e álbuns importantes da música brasileira demoram a voltar ao mercado ou simplesmente nem voltam. 

“A Polysom depende diretamente do licenciamento das grandes gravadoras, donas das masters (matrizes das gravações originais), que têm colaborado imensamente”, diz João Augusto. “As dificuldades variam caso a caso, por variados motivos, mas todos os projetos acabam acontecendo. A única frustração que carregamos até hoje é de não ter conseguido aprovação para lançamento dos três discos do Tim Maia Racional. Sim, passaram a ser três depois que algumas gravações inéditas foram descobertas. É uma pena”, completa.

Para este ano, a Polysom, que prevê um crescimento de 60% nas vendas em relação a 2013, negocia o relançamento em vinil de discos de Roberto Carlos. “Não temos outros títulos acertados no momento, além dos já conhecidos, mas pode-se falar de uma grande esperança, que irá alegrar milhares de fãs: a série de caixas com os discos originais de Roberto Carlos. Não há nada certo ainda, mas temos sinais positivos da gravadora e do próprio Rei.”

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