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Fã de punk-rock encabeça mudança na Orquestra Petrobrás

Mateus Simões, de 32 anos, divide-se entre a função de diretor da Opes, DJ e baixista da banda Phone Trio

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2017 | 03h00

Na sexta, 10, Mateus Simões foi DJ em uma festa no Rio. No sábado, acompanhou a Orquestra Petrobrás Sinfônica, da qual é diretor-executivo, no concerto Ventura Sinfônico, apresentação que transporta os arranjos do terceiro disco do Los Hermanos, para o universo da música erudita. No domingo, 12, ele já estava a postos, com o baixo ligado e pronto para tocar o pop punk da banda Phone Trio. O fim de semana passado, musicalmente eclético, para dizer o mínimo, faz parte do cotidiano do jovem de 32 anos que, aos poucos, vai tentando fundir o mundo erudito com o pop e, com isso, angariar novos ouvintes para a música orquestrada.

Na Opes desde 2009, Simões é um dos idealizadores do projeto Álbuns, na qual a orquestra adapta discos populares na íntegra – depois de Ventura, o disco Thriller, de Michael Jackson, será o homenageado da vez. A “turnê” de Ventura Sinfônico tem sido um sucesso – os ingressos para as três apresentações no Rio esgotaram-se em minutos. Muito disso se deve à devoção conquistada pela banda carioca que completa 20 anos de existência em 2017 e dez anos do anunciado hiato, em 2007, é claro, mas também é uma reação à curiosidade de saber qual seria o resultado de se ouvir músicas como O Vencedor e Último Romance com violinos.

“Foi uma reação que não esperava”, conta Simões sobre a venda de ingressos. “A música clássica tem um estigma, assim como o punk”, ele avalia. “O punk é visto como aquela música suja, rebelde. A música clássica, por sua vez, é enxergada como ‘música de velho’ ou ‘de rico’. Da mesma forma como tentei mudar a ideia do punk com as minhas bandas, tento fazer isso com o erudito.”

O grupo de Simões, Phone Trio, lança um novo EP, chamado Bonanza, em março. Enquanto isso, ele mesmo tenta equilibrar-se entre dois universos (não mais) tão distantes. “Posso assistir a um concerto da New York Philharmonic no sábado e um show do Slayer no domingo”, ele diz. “Para mim, o som dos violinos afinando antes de uma apresentação é tão excitante quanto uma corda de guitarra procurando a nota certa. É quando sei que algo importante está prestes a acontecer.”

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