Ruben Martín
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Fã de Caetano e Vinicius, o espanhol Leiva lança 4º disco de estúdio, ‘Nuclear’

Aos 39 anos, o cantor e compositor madrilenho Leiva canta o amor em tempos sombrios em seu novo álbum e revela sua paixão pela música brasileira

João Paulo Carvalho, Especial para o Estado

04 de junho de 2019 | 03h00

LA CORUÑA, ESPANHA - Escrever sobre o amor é algo complexo em tempos tão sombrios e pesados. Por mais inusitado que isso possa parecer, há, de uma maneira geral, uma certa aversão a esse sentimento genuíno e transformador. José Miguel Conejo Torres, o Leiva, não tem se importado muito com o soturno mundo atual e transforma as suas emoções mais puras em doces composições apaixonadas. 

Aos 39 anos, o cantor e compositor espanhol acaba de lançar Nuclear, seu quarto disco de estúdio. As 12 faixas do álbum mostram um artista capaz de transformar sentimentos melancólicos em verdadeiras obras-primas da música pop. O primeiro single de seu novo trabalho, No Te Preocupes Por Mi, alcançou o topo das paradas de sucesso. Leiva chegou a superar nomes como Rosalía e Alejandro Sanz na lista dos artistas mais ouvidos na Espanha.

“Há muita emoção nas minhas letras porque foi um ano em que vivi coisas pessoais extremamente fortes e me fascina falar sobre isso da forma mais clara possível”, afirma ele em entrevista ao Estado.

Apesar do sucesso estrondoso em 2019, Leiva, um homem esbelto, barbudo e despojado, não é nenhum jovenzinho se aventurando pelo mundo da música. Ele foi descoberto nas noites de Madri em meados dos anos 2000, mais especificamente na Sala Siroco, um dos lugares mais descolados do boêmio bairro de Malasaña, na região central da cidade. Fundou a banda Pereza, ao lado do então parceiro Rubén Pozo, e escreveu hits como Lady Madrid e Pirata, que se tornaram clássicos do pop-rock espanhol.

Depois de uma trajetória de sucesso ao lado de Rubén e de seu então conjunto, Leiva decidiu seguir carreira solo. Após dois discos mornos, Diciembre (2012) e Pólvora (2014), o reconhecimento merecido veio com Monstruos (2016). Leiva foi convidado por Mick Jagger para abrir o show dos Rolling Stones em Madri e tocou para mais de 80 mil pessoas no estádio Santiago Bernabéu.

Em março, o elogiado Nuclear surgiu para consolidar o trabalho de um compositor talentoso e com boa bagagem e tempo de estrada. “Creio que Nuclear é o disco mais completo que já gravei. As letras e a maneira como as interpretei são únicas. É o meu melhor trabalho justamente pela inspiração, interpretação e composição.” 

Gravado de maneira totalmente analógica, Nuclear figura entre os principais lançamentos de 2019 no velho continente. Um dos pontos positivos do disco é justamente a escassez de aparatos tecnológicos da mais alta potência. De Expertos a El Gigante de Big Fish, primeira e última faixa do trabalho, Leiva usa pouquíssimos recursos digitais. “Sigo utilizando as velhas formas de gravar. O Nuclear é um disco bastante convencional. Música não é fast-food. Quis fazer canções para serem ouvidas e apreciadas com tempo. Quero que a minha obra seja ouvida num carro, numa longa estrada, sem destino final.”

Com shows marcados no México, Argentina, Peru e Uruguai, Leiva começa a dar os primeiros passos para uma carreira internacional. Quase todas as apresentações que o músico fará dentro e fora da Espanha, já estão com ingressos esgotados. “Minha intenção é seguir avançando pela América do Sul e me encantaria ir ao Brasil.”

Ele já é apaixonado pela música brasileira e revela ser fã de Vinicius de Moraes. “Eu conheci a música brasileira por La Fusa, de Vinicius. Foi o que mais escutei. Eu me apaixonei por ela. Escutei compulsivamente. Foi minha primeira imersão na música brasileira. Vinicius é um ídolo que tenho. Caetano Veloso também me encanta”, acrescenta o músico madrilenho.

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