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Explosions in the Sky toca em São Paulo e promete novo disco para 2016

Guitarrista Munaf Rayani diz que canções inéditas já estão gravadas; banda toca no Cine Joia nesta quarta-feira, 18

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2015 | 05h00

Se você procurar “Munaf Rayani” no Google, a primeira coisa que aparece é um vídeo do guitarrista do Explosions in the Sky cujo título é: “Munaf Rayani going crazy”. No vídeo, em uma apresentação da banda no Colorado em 2012, ele aparece praticamente deitado sobre sua guitarra, tirando dela o som praticamente etéreo que ajuda a definir a estética da banda: camadas impressionantes de efeitos e sons de guitarras e uma bateria potente que preenche o espaço que a voz, ausente nas músicas do Explosions in the Sky, não ocupa. A banda americana surgida em Austin, no fim dos anos 1990, volta ao Brasil para tocar nesta quarta-feira, 18, no Cine Joia, em São Paulo. O show é uma edição do Popload Gig, começa às 22h (a casa abre às 20h) e as entradas custam R$ 180.

Apesar de recusar o rótulo – que, antes de uma limitação, serve para situar sua música –, a banda faz um rock instrumental que é frequentemente chamado de post-rock, gênero que se utiliza dos elementos do rock (guitarras com efeitos, etc) para construir canções concentradas entre os timbres e as texturas. Munaf Rayani falou sobre isso ao Estado, por telefone, de Detroit, cidade onde ele também passa parte do seu tempo.

“A ideia é continuar escalando, fazer o som evoluir. Qualquer música atinge um certo platô, até que alguém carregue isso além, mostre novos caminhos. Quando começamos, no final dos anos 1990, havia menos bandas como nós. Agora, há muito mais, o que é muito bom, porque significa que esse tipo de música é algo que as pessoas querem ouvir, participar, tocar. É incrível ter um gênero tão específico, mas ser meio que global, ter uma audiência global”, disse, animado – é a segunda vez que banda vem ao Brasil. “Nós nunca pensamos que poderíamos ir tão longe com essa música que tocamos”, comenta, com uma modéstia que não combina bem com o som de contornos épicos que o Explosions in the Sky produz, tanto no estúdio quanto mais no palco.

Na conversa, Rayani também falou sobre o novo álbum da banda, que deve ser lançado no primeiro semestre de 2016 (seria o primeiro original desde 2011), música eletrônica e serviços de streaming.

“O Spotify tem muito poder, e está se tornando mais forte... É assim que o mundo está caminhando, e agora há uma escolha a se fazer (aderir ou não). Em última instância, é isso que ocorre na vida: você quer ver algo por uma lente positiva, ou por uma lente negativa?”

Novo disco. Ocupados em trabalhos de diversas trilhas sonoras para o cinema nos últimos anos – a mais notória acabou sendo a de Tudo pela Vitória (Friday Night Lights), de 2004, mas houve outras, em filmes recentes de David Gordon Green – o Explosions in the Sky encontrou tempo nos últimos meses para trabalhar nos detalhes finais do seu próximo disco, que deve sair no início de 2016, segundo o guitarrista Runaf Mayani.

“Queremos mostrar que nos estabelecemos na música, e não apenas em um estilo específico”, diz Mayani. Ele disse que ainda não foram definidos o título do álbum e os nomes das canções, que acabam tendo um papel bastante relevante dado que as música da banda não possuem letras. 

Sobre a possibilidade de incorporar elementos da música eletrônica no som da banda, ele é enfático. “Teremos alguns novos sons eletrônicos, mas não somos uma banda de eletrônica, somos uma banda de rock. Com os altos e baixos, guitarras e bateria, mas definitivamente estamos evoluindo para apresentar o que falamos por meio da música, com mais instrumentos, sons.” 

“O mundo está evoluindo ao nosso redor, e a capacidade de se adaptar a esses novos jeito de tocar é o que aparece nesse disco novo”, completa.

O álbum mais recente da banda é Take Care, Take Care, Take Care, de 2011. Os outros que foram lançados desde então são resultado das trilhas sonoras, às vezes feitas em parcerias com outros músicos.

“A trilha sonora é muitas vezes mais fácil, porque é a visão de um diretor, ele diz como as músicas vão soar, cada instrumento que quer ouvir, as melodias”, compara. “No nosso álbum, nós somos os diretores. Nossas visões são tão específicas e somos quatro partes iguais, então temos que achar uma harmonia entre nós, e apresentar uma música de um jeito que não feito ainda. Queremos continuar além, e isso se torna um pouco mais difícil.”

Há 15 anos na estrada com a banda e agora com uma base de influência e de fãs já estabelecida, Rayani admite que uma vida passou desde o início do Explosions in the Sky – em 2000, quando a banda lançou o primeiro álbum, How Strange, Innocence, a média de idade dos quatro integrantes (além dele, Chris Hrasky, Michael James e Mark Smith) era de 19 anos. “Agora, tocar é muito mais significativo, mais focado. Quando começamos, não havia muitas fronteiras, apenas escrevíamos o que sentíamos, e com sorte tivemos uma resposta positiva. Agora sabemos, ainda melhor, o que queremos tocar, e como queremos soar, e assim prosseguir.”

EXPLOSIONS IN THE SKY – POPLOAD GIG

Cine Joia. Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade. Telefone: (11) 3101-1305. Hoje, 18, às 20h. Show às 22h. Ingressos: R$ 180.

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