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Exclusivo: 'The 2nd Law', o novo disco do Muse

Baixista Chris Wolstenholme reflete sobre a música atual e fala sobre lançamento

Pedro Caiado / ESPECIAL PARA O ESTADO ,

25 de agosto de 2012 | 07h00

LONDRES - Novo álbum do Muse, novo apocalipse. The 2nd Law, como foi intitulado o recente CD dos britânicos de Devon, é também o mais pessoal já produzido pelo trio - e, talvez, o mais repleto de influências - do U2 ao compositor Hans Zimmerman, passando pelo DJ Skrillex.

O single Madness, lançado esta semana, é uma bela melodia eletrônica que varia entre I Want to Break Free, do Queen, e Faith, de George Michael. Enfim, o disco do Muse parece ter saído direto dos melhores momentos da década de 80 - e, acredite, isso é bom sinal. Matt Bellamy, vocalista, prometeu em recentes entrevistas que o trabalho teria fortes influências dubstep - a banda se empolgou com o gênero após assistir a um show de Skirillex em Londres, no ano passado. Nas últimas semanas, Matt confessou ter se inspirado em música clássica, trilhas sonoras e partes do CD mais experimental do U2, Achtung Baby, de 1991.

O Estado ouviu com exclusividade as 11 faixas de The 2nd Law. Nele, o grupo conhecido pela mania de grandeza continua o que faz de melhor: canções épicas e grandiosas, próprias para entreter multidões em estádios.

No hall do Soho Hotel, em Londres, o baixista Chris Wolstenholme, 33 anos, abriu o jogo sobre a nova sonoridade do Muse. "Há faixas bem no estilo Muse e outras lembram o nosso álbum anterior, Resistance, mas algumas estão em um caminho bem diferente. Madness e Panic Station, particularmente, exploram áreas que não estamos acostumados", confessa o baixista. Madness é mais melancólica do que Survival, o primeiro single do disco, que serviu de tema para os jogos olímpicos.

O Muse aposta em novos níveis de experimentação, e surpreende. Após quatro meses nos estúdios Air em Hampstead e seis semanas em Los Angeles, a ideia de The 2nd Law se desenvolveu como uma história a ser contada. O blues de Supremacy constrói um clímax de histeria orquestral em que Matt canta a perda da supremacia da humanidade. A histeria está também em Panic Station, inspirada nos anos 80, com riffs que lembram Suicide Blonde do INXS.

Recentemente, Matt Bellamy admitiu em entrevista que, entre outras fontes, Hans Zimmerman (compositor de filmes de Hollywood) é influência de The 2nd Law, que tem tudo para ser trilha de cinema.

Se 2nd Law fosse trilha de cinema, de qual filme seria? "James Bond, talvez", diz Chris. "Acho que Supremacy, a primeira faixa do álbum, deveria estar mesmo em uma aventura de Bond. Adoraria fazer a trilha para um daqueles filmes." Apesar de não estar no próximo Bond, Skyfall, Survival foi escolhida como tema da Olimpíada de Londres.

Sobre a inspiração para o disco, Chris ressalta que o importante é explorar áreas ainda desconhecidas. "Este álbum tem referências do rock, de música clássica e muito dos anos 80, que é um período que formatou tudo o que viria depois. Era uma época muito experimental, assim como nosso disco."

Seria esse o motivo de o trio ser tão popular? "Sinto que nosso sucesso pode estar ligado ao fato de não sermos escravos de tendências; muitas bandas são efêmeras porque seguem algum tipo de moda e depois acabam desaparecendo. E também há bastante diversidade no que fazemos. Algumas pessoas gostam mais da parte clássica ou do rock. Quem curtia Led Zeppelin nos anos 70, por exemplo, hoje curte a nossa música. Sempre temos novos fãs. Há sempre algo para todo mundo na produção do Muse", diz o baixista.

Sobre a queda da popularidade do rock nas paradas, Chris comenta: "Acredito que tenha começado quando lançamos nosso primeiro álbum. Não é algo inédito. Há quem diga que a música com guitarra está morrendo, mas quando você olha quais são as maiores bandas do mundo, todas são de rock! Muitos artistas pop vendem grande quantidade de álbuns, mas não enchem estádios como grupos de rock. O rock pertence às arenas", defende. Alguma preocupação com a redução de público do rock? "Bem, rock é o que fazemos. Sempre seremos uma banda de guitarra. Mas quem sabe o que acontecerá no futuro? Tudo está mudando rapidamente. Em dez anos, ninguém sabe como será a indústria musical."

Para esses rapazes de Devon, qual é o principal objetivo do Muse? "Escrever e criar músicas que conectem as pessoas. E, se pudermos conectar muitas, será incrível! Nós já ultrapassamos o que pensávamos que era impossível quando tocamos no Festival de Glastonbury (2004). Foi um marco. Mas ainda há muito a fazer. Olhe para o U2, eles podem tocar em qualquer estádio que quiserem. É a nossa meta. Mas será que é possível ser tão grande quanto o U2?", questiona Chris.

The 2nd Law reúne os rapazes do Muse novamente com força total após uma crise. Enquanto gravavam e produziam Resistance, em 2009, Matt e Dom (Dominic Howard) passavam a maior parte do tempo sozinhos, enquanto o problema de Chris com o alcoolismo progredia. Agora, sóbrio por mais de um ano, ele estreia como cantor em duas músicas que fez: Liquid State e Save Me. "São composições escritas logo depois que parei de beber", confessa Chris. "Save Me fala sobre o apoio que recebi da família, mulher e filhos. Foram eles que me salvaram. Beber todo dia é terrível." Sobre sua nova função na banda, a de cantor, explica: "Não esperava cantar quando mostrei as canções para Matt e Dom, mas eles insistiram. As letras são muito pessoais". Em Liquid State, Chris lembra muito os vocais de Dave Grohl. "Minhas influências vocais são mais Beach Boys. Não ouço muito Foo Fighters."

Brasil. "Nós estivemos lá três vezes, mas fizemos somente cinco concertos. É um país muito bonito. Na primeira vez que fomos ao Rio fizemos muita festa", relembra Chris. "Quando acompanhamos o U2 na América do Sul tivemos um período tranquilo, jogando golfe."

Planos para visitar o Brasil? "Claro! Não temos datas ainda, mas queremos muito voltar. Fizemos uma turnê própria e outra abrindo para o U2 e sentimos que o Brasil é um lugar muito musical, que curte rock em particular. Não sabemos como será a nova turnê - estamos agora na fase de preparação. Mas com certeza será mais espetacular do que a última", diz, alertando que não pretende subir nas torres como nos últimos shows: "Aquilo foi loucura!".

Em relação a The 2nd Law, Chris faz suposições sobre como será a recepção ao disco. "Talvez não gostem", admite, entre gargalhadas. "Eu não sei. Não dá para prever o sucesso do álbum, mas sentimos que fizemos nosso melhor trabalho até hoje. E essa é a meta. Mas quando você mostra a outras pessoas, foge do seu controle. Não esperamos que todos gostem", conclui o baixista do Muse.

MUSE

The 2nd Law

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