Estúdios de gravação da Abbey Road completam 75 anos

Para todos os fãs de música, o nome é sinônimo dos Beatles, já que foi lá que eles gravaram um álbum homônimo e onde o quarteto, entre uma jam session e outra, se desfez entre 1969 e 1970. Mas os estúdios de gravação da Abbey Road, que abriram em 1931 e comemoram daqui a alguns dias o aniversário de 75 anos, tiveram um papel bem maior na história da música britânica e mundial. Os estúdios ocupam ainda uma modesta casinha no número 3 da rua de mesmo nome, no bairro residencial de St. John´s Wood, noroeste de Londres. E ainda hoje são a meta de muitos músicos no topo das paradas de metade do mundo, enquanto, do lado de fora, na calçada célebre imortalizada pela capa do álbum dos Beatles, centenas de turistas tiram fotos todos os dias. Inaugurados com Sir Edward Elgar, que gravou Land of Hope and Glory em 12 de novembro de 1931, os Abbey Road Studios realmente fizeram parte da história da música, graças à excelente acústica e à alta tecnologia que sempre foi usada no local. Foi lá que, em 16 de setembro de 1944, George Gershwin fez sua última gravação, pouco antes do desaparecimento de seu avião num vôo sobre o canal da Mancha (as faixas permaneceram inéditas por 50 anos, até o vencimento dos direitos autorais de Gershwin). De Gershwin a Spice Girls Nos anos 50, os estúdios abrigaram gravações musicais e também programas de rádio, com as vozes de Peter Sellers e Peter Ustinov. Foi gravado em Abbey Road o primeiro single do rock and roll, Move It de Cliff Richards, lançado em 1958. Também em Abbey Road, numa noite de 1962, George Martin, então chefe do selo Parlophone, encontrou o quarteto de Liverpool, que considerou "terríveis", antes de transformá-los nos músicos mais famosos de todos os tempos. Os próprios Beatles escreveram em Abbey Road o último ato da saga, gravando entre brigas e muita tensão I Me Mine em 3 de janeiro de 1970. Mas não são apenas os fãs dos Beatles que têm memórias ligadas a Abbey Road. Foi lá que a banda Pink Floyd reinventou sua carreira e gravou The Dark Side of the Moon, destinado a se tornar um dos álbuns mais vendidos da história do rock, junto com Wish You Were Here. Mas passaram por Abbey Road também, entre os anos 60 e 80, artistas como Simple Minds, Spandau Ballet, Boney M, Mike Oakfield, Kate Bush e Sting. Nos anos 90, os estúdios abrigaram uma nova geração do pop britânico, graças à possibilidade de gravar ao vivo no estúdio: de Radiohead a Blur e de Travis a Texas. As Spice Girls gravaram Spice World em Abbey Road e, como lembra o jornal Independent, "por algumas semanas, com a massa de fãs esperando do lado de fora, era como voltar aos anos 60". Aos 75 anos, Abbey Road goza de excelente saúde e não é só o destino de peregrinações nostálgicas. Está para começar uma série de concertos organizados pela TV inglesa Channel 4, que será chamada Live from Abbey Road, enquanto George Martin se prepara para lançar nos estúdios o álbum Love com remixes experimentais de canções dos Beatles, feitos a partir das faixas originais gravadas nos estúdios.

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