Estréia em Brasília a ópera de Elomar

Brasília será a primeira cidade do País a assistir à montagem da ópera A Carta, do compositor Elomar Figueira Mello, conhecido nacionalmente apenas por Elomar. Com direção musical e regência de Henrique Morelenbaum, A Carta será encenada durante três semanas, de quinta a domingo, no Centro Cultural do Banco do Brasil, entre os dias 7 e 24. Elomar já compôs 11 óperas, todas ainda inéditas, mas diversas de suas árias são muito conhecidas, na voz do próprio compositor ou na de outros cantores, principalmente Xangai. Com uma dessas árias, Pinhão na Amarração, ele foi finalista de um dos festivais de música popular da Rede Globo. A Carta é dividida em quatro cenas e foi escrita para 11 personagens, coro e orquestra de 34 integrantes. Maria, a personagem principal, será representada por duas cantoras, uma meio-soprano e uma soprano. Cantor, violeiro, trovador e apaixonado compositor de ópera, Elomar costuma atrair em suas raras apresentações um público impressionante, formado quase exclusivamente por jovens. Elomar é enjoado. Costuma dar pitos na sua assistência, mas ninguém se importa. Não permite filmagens de espécie nenhuma e, se alguém insistir, ele pode até parar a apresentação. Tem por costume não aceitar cheques quando recebe o cachê. Só dinheiro vivo. Guarda as cédulas no cano das botas. O compositor nasceu em Vitória da Conquista, na Bahia. Formou-se em Arquitetura, mas optou por voltar para o sertão. Tem uma fazenda nas margens do Rio Gavião, onde passa a maior parte de seu tempo. Foi ao Rio ver os primeiros ensaios de A Carta, mas já voltou para o sertão, tema predominante em sua imensa produção artística: 11 óperas, 11 antífonas, 4 galopes estradeiros, 1 concerto de violão e orquestra, 1 concerto para piano e orquestra, 1 pequeno concerto para sax alto e piano, 1 sinfonia, 12 peças para violão-solo e um caderno com 80 canções. O tema de inspiração de Elomar, o Brasil rural, jamais foi abordado em música pelo teatro lírico.Segundo Elomar, sua ópera "celebra a boniteza da mulher sertaneja. Trata de uma sertaneja, uma Maria qualquer, filha deste imenso esquecido, tão belo e tão lascado estado do sertão." Celebra também a peleja dos pequenos na busca do teto e do pão junto ao descaso e à prepotência dos poderosos. "Maria é uma donzela nos seus 18 anos, bonita de uma beleza não comum que, sendo noiva de um vaqueiro por nome Diudurico (Zé de Udurico), é pobre, e de muito pobres, não conseguem nunca arrumar o enxoval, tampouco fazer a casa de morada para se casarem. Mais ou menos providencialmente numa véspera de São João, 23 de junho, chega de São Paulo uma prima que ali trabalha numa fábrica de tecidos. Esta, ao perceber as dificuldades da noiva, propõe que fujam juntas, logo passadas as festas, para aquela galáxia madrinha do sertão, sustentando que após um certo tempo de trabalho com o dinheiro que ali ganhar, poderá, com certeza, tratar o enxoval, casa e outros, e por conseguinte se casar."

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