Esquenta a temporada de shows no Brasil

Vai ser mais que um semestre, vai ser um showmestre! O mercado de concertos internacionais de pop rock no Brasil vive um bom momento nesses últimos meses do ano. Reaquecido, deve trazer aos palcos brasileiros cerca de 20 espetáculos até novembro, além de impulsionar o retorno do antigo Free Jazz Festival, agora rebatizado Tim Festival, no fim de outubro.A retomada, avaliam empresários do ramo, deve-se principalmente à estabilidade que o dólar alcançou (os contratos para shows internacionais são fechados em dólar). "De fato, o dólar a R$ 3,00 ficou bem mais razoável", diz Fernando Altério, diretor da CIE, maior empresa de show biz em atividade no País. Segundo dados da CIE (baseados em pesquisa da IEG Sponsor Direct, empresa americana), os investimentos no marketing de entretenimento no Brasil superaram US$ 1 bilhão em 2002 (um terço do total da América Latina, que é de US$ 3 bilhões).Animados pelo cenário, alguns empresários do ramo já fazem projeções otimistas para 2004. "O faturamento será cerca de 20% maior", prevê Jorge Maluf, proprietário da casa de shows Via Funchal, na Vila Olímpia. Novas empresas e empresários já se arriscam no negócio de shows internacionais, como a Fábrica WA, que realizou recentemente o show do grupo The Calling no Via Funchal (que teve até show extra e público de 11 mil pessoas), e é a promotora da apresentação da banda Coldplay, na semana que vem. O grupo está na moda na cena musical: pelo menos sete entre as músicas mais tocadas nas rádios são do Coldplay, além de seu álbum mais recente, A Rush of Blood to the Head, ter levado dois prêmios Grammy este ano.Velhos empresários do ramo, que estavam meio sumidos da cena, voltaram à ativa com os sinais de melhora na área. É o caso de Manoel Poladian, especialista nos grandes shows em estádios, que é o anfitrião do concerto dos dinossauros do Deep Purple, previsto para o dia 20 (acompanhados de Hellacopters e Sepultura). Contribuiu também para a "engorda" da agenda neste fim de ano o Brasília Music Festival, que está trazendo diversos artistas de peso, como os ingleses do Pretenders e a canadense Alanis Morissette. Para aliviar o custo das turnês, esses artistas vão fazer shows também no eixo Rio-São Paulo, o que torna os patrocínios mais vantajosos.Em outubro, o Tim Festival traz a "banda da hora", os americanos do White Stripes, autores do disco mais festejado pela imprensa especializada em 2003, Elephant. "O problema maior agora é a queda de renda do consumidor, que afeta de maneira absurda o mercado de entretenimento", adverte o cauteloso Fernando Altério, da CIE. Segundo ele, esse fator e mais o desaquecimento do mercado argentino continuam sendo empecilhos para o crescimento do setor de show biz.

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