Divulgação/Matheus Soares
Divulgação/Matheus Soares

Espírito Santo vê Paul McCartney pela primeira vez

Ex-Beatle iniciou seu show na noite desta segunda-feira, 10, com 'Eight Days A Week', 'Save Us', 'All My Loving' e 'Let me Roll It'

Julio Maria, Enviado Especial - O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 21h22

Atualizado às 23h14.

CARIACICA - Paul McCartney apareceu às 21h03, quando as luzes do Estadio Kleber Andrade se apagaram. Vitória o via pela primeira vez. Uma imagem de impacto com a banda tocando Eight Days A Week. Paul olhou para o público, ameaçou falar algo mas só emendou a canção Save Us, do recente disco New. Veio então com All My Loving depois de dizer que iria falar um pouco de português, mas "mais inglês". "Obrigado. Finalmente é bom estar aqui", disse, em português. Paul então ergueu o baixo para o céu, tirou o paletó azul claro, retomou o instrumento e fez a plateia delirar com Let me Roll It.

Seguiu seu espetáculo com algumas alterações com relação à turnê anterior. Fez uma nova versão de Paperback Writer solando uma guitarra Epiphone que apresentou como uma peça preciosa que usou em várias gravações dos anos 60 e disse que queria faz um tributo a Jimi Hendrix, mas não tocou nenhuma música do guitarrista. Dedicou a bela Valentine à esposa Nancy e fez The Long and Widding Road forçando a voz para chegar nos agudos enquanto o mesmo vídeo com paisagens era projetado no fundo do palco. Depois de apresentar as novas New, Queenie Eye e Out There, todas do novo álbum, retomou o roteiro da última turnê. Let It Be, Hey Jude, Back in the USSR.

Minutos antes do início, as arquibancadas o saudavam com as lanternas dos celulares ligadas em um ato inesperado que levou a aplausos e comoção.

A plateia vip foi montada com cadeiras, algo raro nas últimas turnês do beatle. Quando o show começou, os cerca de 30 mil lugares, entre plateia e pista, pareciam tomados.

Antes do show, 12 jovens com Síndrome de Down e autismo que haviam sido selecionados junto à Apae de Vitória para assistirem à apresentação com seus familiares foram barrados. A produção do evento informou que eles deveriam ter caído em algum golpe, já que não havia nenhuma decisão superior para que entrassem. Mães choravam na grade com seus filhos. "Não acredito nisso, só pode ser um pesadelo", dizia Vera Lúcia Gáudio, mãe de um garoto com autismo. A presença dos jovens era um pedido do próprio Paul."Não podemos fazer nada", disse uma funcionária da produção brasileira.

O primeiro show da turnê Out There no Brasil, a terceira em menos de três anos por aqui, é o 16º show do beatle no País. Nenhum outro astro com as mesmas proporções, Eric Clapton, Elton John ou Mick Jagger, veio tantas vezes.

A cidade de Cariacica, na Grande Vitória, nunca havia recebido um espetáculo internacional em seu estádio estadual Kleber Andrade. Ainda assim, não houve cenas de perseguição de massas atrás do ídolo desde que Paul chegou a Vitória, na manhã de domingo. Ele ocupou a suíte presidencial do hotel Golden Tulip, na Enseada do Suá, ao preço de R$ 5,6 mil a diária, durante toda a tarde de domingo. Havia pedido lençóis brancos, sem estampas, e um piano no quarto possivelmente para seguir compondo músicas que estarão na trilha sonora de uma animação infantil chamada High in the Clouds, que foi adaptada do livro homônimo e será dirigida no cinema por Rob Minkoff, o mesmo de O Rei Leão.

Paul usou a academia de ginástica do hotel, com os vidros devidamente cobertos por folhas de cartolina, ao lado de sua mulher Nancy Shevell, e só deixou o local à noite para jantar com Nancy e sua equipe no restaurante Soeta, na Praia do Canto. As palavras em português e as gírias do capixabês que disse durante o show foram aprendidas com um professor particular.

Paul segue para o Rio, onde se apresenta nesta quarta-feira, 12, no HSBC Arena. Dia 23 estará no Estádio Nacional de Brasília e, 25 e 26, no Estádio Palestra Itália. Fãs de porta de hotel comentavam, sem informações oficiais, que esta será a última turnê do beatle pela América do Sul. Aos 72 anos, seu vigor, mesmo depois de seguidos shows que chegam a quase três horas de duração, parecem dizer o contrário.

NOTAS

1. O restaurante Soeta, na Praia do Canto, recebeu Paul para um jantar na noite de domingo. O cardápio 100% vegetariano incluiu 30 itens, entre eles ravioli, lasanha vegetariana e nhoque de batata. Para beber, o drink preferido do beatle: marguerita carregada no Contreux.

2. Além das quase três horas de show, Paul faz de sua passagem de som um show vip chamado Hot Sound. A regulagem de volume fica um pouco abaixo do som usado no show, mas a experiência é impagável, e só quem assiste são poucos felizardos que pagam a mais por isso, os bombeiros e a produção. A reportagem chegou ao estádio quando Paul tocava I'm Follow the Sun. Depois fez Two of Us, que raramente apresenta nos shows.

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