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Espécie única

Disco Blak and Blu não parece ter sido gravado pelo mesmo jovem que abriu o show de Eric Clapton no Morumbi, há dois anos

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2013 | 22h00

SÃO PAULO - Negro, voz grande, mal-encarado, estiloso e com uma guitarra atravessada no peito, Gary Clark Jr. é uma espécie única no mundo branco dos roqueiros indie. Sua aparição no festival Lollapalooza, hoje, às 15h30, no palco alternativo do Jockey Club, é a mostra de uma resistência. Clark é um bluesman dos tempos modernos, com tudo de bom e de ruim que pode haver nesta simbiose.

Seu disco Blak and Blu não parece ter sido gravado pelo mesmo jovem que abriu o show de Eric Clapton no Morumbi, há dois anos. O blues está diluído em egos de produtor, cheio de tempero para torná-lo aceito no mesmo mundo branco dos roqueiros indie.

As coisas começam bem com a suingada Ain’t Messin ‘Round, seguem duas toneladas acima com When My Train Pulls In e então descambam na viagem de Blak and Blu, um R&B perfumado que faria Justin Timberlake dançar todo pimpão ao lado de um Eric Clapton cabisbaixo e frustrado. O vagão retorna aos trilhos com Bright Lights, o hit setentão de Clark criado sobre uma guitarra possante, e Travis County, rock and roll clássico e incendiário.

Os tiros de Clark miram vários alvos mas quase não acertam o blues, que só aparece em seu formato ‘margens do Mississippi’ em Next Door Neighbor Blues. O grande momento do show de hoje deve ser a bênção que Clark pede a Hendrix com Third Stone From The Sun linkada a If You Love Me Like You Say. Com um pouco mais de coragem, ele levaria um dez.

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