JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Escritores apresentam o novo projeto musical Palavras Cruzadas

Jovens nomes destacados das letras paulistas apresentam o grupo lítero-musical

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2017 | 03h00

Um dos primeiros nomes que surgiram para o novo projeto lítero-musical Palavras Cruzadas foi, na verdade, Escritores do Havaí – brinca um dos fundadores do grupo, o escritor Felipe Franco Munhoz. A ideia, ainda bem, foi vetada pelos outros dois membros que se apresentam nesta quinta-feira, 16, no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, Marcelo Maluf e Rafael Gallo. O Palavras Cruzadas é um projeto misto de música e leitura, que faz sua estreia nesta quinta no centro da cidade. Outra artista envolvida no grupo é Aline Bei, autora de O Peso do Pássaro Morto (Nós), formada em artes cênicas e destaque no cenário paulistano de spoken word. A apresentação Entre a Letra e a Música ocorre nesta quinta, 16, às 19h30, e tem entrada gratuita.

Todos os membros do Palavras Cruzadas são escritores, e a ideia, segundo Munhoz, é ir adaptando o line-up de acordo com situações e cidades: nessa primeira apresentação, em São Paulo, fazem parte do projeto Gallo (guitarra, autor de Rebentar e vencedor do Prêmio São Paulo), Maluf (bateria, autor de A Imensidão Íntima dos Carneiros e também vencedor do São Paulo) e Munhoz (guitarra, baixo e voz, autor de Mentiras). O trio vai apresentar quatro canções inéditas e fazer a leitura de dois trechos de obras suas, além de bater um papo com o público na apresentação.

“Musicalmente a gente fez uma troca imensa de influências”, conta Munhoz – elas passam de Leonard Cohen (“se encaixa bem no conceito de relacionar música e literatura”) a Bjork (“por ser uma coisa que é uma canção mas ao mesmo tempo vai além”) e Tom Waits e Lirinha, entre outros.

O Palavras Cruzadas se coloca na missão de fazer música a partir de textos literários ou relacionadas ao universo da literatura, como na faixa inédita Identifique-se, inspirada num trecho do próximo livro de Munhoz, Identidades, e cujo arranjo musical pretende reproduzir uma característica do texto, segundo o autor. O livro sai no primeiro semestre de 2018, pela Nós.

A ideia inicial do projeto nasceu de uma conversa entre Munhoz e Maluf, ambos com passado na música independente. Maluf foi membro da banda Concreteness, que fez barulho no underground brasileiro dos anos 1990, e tinha uma casa de shows que também é lembrada com carinho, a Hitchcock, em Santa Bárbara d’Oeste. Munhoz tocou canções próprias em múltiplas ocasiões no 92º, local querido em Curitiba. A formalização do projeto e a formação da banda vieram depois de um contato com Marcelino Freire e o Sesc 24 de Maio.

O projeto lembra um pouco o Rock Bottom Remainders, banda que teve em seu line-up Stephen King, Scott Turow e outros escritores conhecidos nos EUA, e que chegou a tocar com gente como Bruce Springsteen e Roger McGuinn, dos Byrds. 

O destino do Palavras Cruzadas ainda é incerto, mas segundo Munhoz a vontade é agendar mais apresentações.

ENTRE A LETRA E A MÚSICA

SESC 24 de Maio. Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo – SP. (11) 3350-6300. Quinta-feira, 16/11, 19h30. Entrada gratuita.

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