Equilíbrio marca eliminatória do prêmio Visa

Entre os concorrentes da segunda eliminatória do 8.º Prêmio Visa de Música Brasileira - Edição Vocal, o grupo carioca BR6 abriu a noite fazendo malabarismos (um dos seis é só percussionista vocal) a capella e alternando-se em solos e acompanhamentos, apresentando-se para uma platéia lotada no Espaço Promon, em espetáculo apresentado pela locutora da rádio Eldorado Rose de Oliveira.Com boa técnica e combinação afinada de timbres, o grupo ao vivo tem desempenho superior ao do registrado em disco. Falso Milagre do Amor (Ed Motta/Ronaldo Bastos) trouxe o acento soul que Dudu Salinas iria aprofundar na segunda parte do programa. O grupo prosseguiu com Wave (uma das canções mais chatas e surradas de Tom Jobim) sem nenhuma surpresa. Posicionados em semicírculo, tiveram seu melhor momento em Disfarça e Chora (Cartola/Dalmo Casteli), cantada sem microfone. Evocando outro clichê de chatura, os quasquasquás dos Demônios da Garoa, terminaram em alta voltagem com a intrincada Linha de Passe (João Bosco/Aldir Blanc).Privilegiando as cordas, os demais cantores também se apresentaram com um mínimo de instrumentação, recurso que evidentemente procura valorizar a voz. E Consuelo de Paula tem muito a preservar. Afinada, delicada, emocionante, escolheu o melhor repertório da noite e foi generosa em poesia e sutileza até quando tocou tambor. Abriu com a valsa Lua Branca (Chiquinha Gonzaga), manteve o passo em Dança para Um Poema (dela e Rubens Nogueira). Com mais ênfase e espírito renovador trouxe recursos do folclore, marca acentuada de seu trabalho, em Na Pancada do Ganzá (Antônio Nóbrega e Wilson Freire) e Folia (Lourenço Baeta/Xico Chaves). Em contraste estilístico, Dudu Salinas queimou seu melhor cartucho no início com uma surpreendente versão rhythm´n´blues para a esgarçada Sampa (Caetano Veloso), sozinho ao violão, fazendo scat singing e imitando som de trumpete com a boca. Com notável influência de João Bosco e da soul music, colocou tempero novo em Quando o Samba Acabou (Noel Rosa) e, já na boa companhia de baixo e guitarra , recorreu a um standard recente para os cantores da noite (a meio brega Saigon, de Carlão, Cláudio Cartier e Paulo Feital) e caiu no suingue de Asa (Djavan), deixando boa impressão. O vozeirão de Regina Machado (que é paulista e não carioca como impresso no programa) percorreu com segurança duas raras canções de Chico Buarque (Uma Menina e Meia-Noite, esta em parceria com Edu Lobo), uma dela própria (Rio de Janeiro) e outra de Caetano Veloso (Fora da Ordem). Foram interpretações seguras e apoiadas em arranjos bonitos de violão e violoncelo. Além da voz possante e bem projetada, Regina tem forte presença cênica e lembra um pouco Cida Moreyra. Na platéia havia forte torcida a seu favor.

Agencia Estado,

08 de julho de 2005 | 12h54

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