ENTREVISTA-Paul Anka, autor de 'My Way', mantém devoção à música

Depois de mais de 50 anos de trabalho noshow business, o ídolo teen dos anos 1960 Paul Anka diz quefazer 75 apresentações por ano é melhor para a saúde queaposentar-se. O primeiro sucesso do canadense Anka foi "Diana", em 1957,aos 16 anos. Ele compôs "It doesn't matter any more" para omito do rock'n'roll Buddy Holly, e sua canção temática para oprograma de Johnny Carson na TV americana foi ouvida todas asnoites durante décadas. Sua letra de "My Way" foi celebrizada por Frank Sinatra e éouvida em karaokês pelo mundo afora, e ele já gravou mais de120 álbuns. No momento, está trabalhando sobre outro álbum esua autobiografia. Paul Anka falou à Reuters por telefone sobre música, comoele sobreviveu com ela, sobre cantores que conheceu --incluindo Elvis, Frank Sinatra e o "Rat Pack" -- e seus planospara o futuro. Ele vai apresentar-se na Espanha nesta quinta esexta-feira, percorreu a Europa recentemente e em setembro vaiapresentar-se na Ásia. Pergunta: É difícil continuar a fazer 40 apresentações porano?Resposta: Na verdade faço 75. Muitas delas não são divulgadas.Faço shows para empresas, trabalho em cassinos. Hoje é muitomais fácil, acredite se quiser, do que era anos atrás, quandonão havia tecnologia neste ramo. A gente não tinha controlesobre o que queria fazer, como tem hoje. Quando trabalhávamos para a máfia em Las Vegas, eles nosdiziam o que fazer, onde e como, e não havia discussão (ri).Era uma grande lição. Aprendíamos muito em termos de foco,integridade e profissionalismo. P: Você poderia falar mais sobre a máfia? R: Quando comecei no ramo musical, era tudo praticamentecontrolado pela máfia. Naquela época a máfia era dona de tudo,controlava tudo, e a gente tinha que trabalhar para ela. Nãohavia outro lugar para trabalhar, até que os Beatles abriram omercado, então o hard rock chegou nos anos 1960, e os locaisonde se tocava mudaram. Mas a gente trabalhava para aquelessujeitos, estávamos ali com Frank Sinatra, Sammy Davis e DeanMartin, e era bastante interessante. P: Então as coisas estão mais fáceis hoje? R: Estão mais fáceis, mas acho que o mundo se tornou maisperigoso. Naquela época, (o presidente dos EUA John) Kennedypodia vir, havia garotas, dançarinas, prostitutas, e nada dissosaía nos jornais. No mundo da grande mídia hoje, isso não émais possível. A imprensa fica em cima dessas pessoas, BritneySpears ou qualquer outra pessoa. P: Falando em mudanças tecnológicas no ramo musical, o quevocê acha dos downloads? R: O ramo musical mudou e vai mudar mais. Acho que os CDsficarão obsoletos, as gravadoras com as quais trabalho ficarãoobsoletas. É como no ramo do cinema ou qualquer uma dessasinfra-estruturas: a gente tem que trabalhar com a evolução dostempos. Mas acho que tudo se resolverá a partir do momento emque as pessoas aceitarem qual é o novo modelo. P: Foi difícil livrar-se do rótulo de "ídolo teen"? R: Eu diria que os anos 1960 foram a época mais difícil, emtermos de carregar aquele rótulo como um peso. Mas foi curiosoporque, enquanto outros eram colocados de escanteio, eucontinuei a funcionar e a ganhar a vida muito bem, talvez pelofato de ser letrista. "My Way" marcou a virada para mim, porquedeixei de ser um letrista adolescente. Passei a ser o cara queescrevia letras para seu parceiro. P: Olhando para trás, tantas pessoas no mundo da música nãosobreviveram, mas você, sim. Existe algum segredo? R: Todos nós fazemos escolhas na vida e eu aprendi issoainda criança, porque ninguém queria me proteger. Eu me fizsozinho, me cerquei de pessoas boas. Eu via Sinatra e todo aquele pessoas, como eles viviam bem.Aprendi com eles, mas também aprendi com eles o que não fazer:o álcool, as drogas. É a sobrevivência de quem está mais emforma. Passei por isso com Elvis e entendi que esses caras nãoestavam sabendo lidar com o sucesso e que eu não queria meisolar de quem eu era, de minhas origens. P: Você não pensa em se aposentar? R: Não acredito na aposentadoria. Se você olha para aexpectativa de vida, hoje, a chave dela é a atividade. Sou umapessoa que cuida da saúde. Eu sei que preciso da atividade,preciso continuar a fazer o que eu amo.

MARTIN ROBERTS, REUTERS

31 de julho de 2008 | 11h30

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