ENTREVISTA-Neil Young lança documentário sobre shows antiguerra

Por Wes Orshoski NOVA YORK (Billboard) - Em 2006, após ter um aneurismaquase fatal, o músico Neil Young ficou tão engajado contra aguerra no Iraque que escreveu, gravou e lançou rapidamente odisco de protesto "Living With War" (vivendo com a guerra). Menos de dois meses depois do lançamento do disco, seugrupo Crosby, Stills, Nash & Young começou uma turnê chamadaFreedom of Speech (Liberdade de Expressão), na qual os fãs queesperavam a faceta delicada da banda deram de cara com seu ladomais agressivo. Em um show de mais de três horas, a banda tocava quasetodas as faixas de "Living with War" e muitos dos hinospolíticos que construíram as suas figuras legendária, como"Ohio", "Military Madness" e "Found the Cost of Freedom".Apesar das raízes antiestablishment da banda, muitos fãs seirritaram com a postura. Outros se sentiram atraídos. O documentário "CSNY: Deja Vu" retrata tanto os fãs quesaudaram os esforços do grupo como aqueles que se sentiramtraídos, além de apresentar veteranos do Iraque que hojeprotestam contra a guerra com música, atos políticos etrabalhos sociais. Dirigido por Young (que usa o codinome Bernard Shakey), odocumentário estréia nos cinemas norte-americanos no dia 25 dejulho e contém trechos de shows, bastidores e notícias criadaspor Mike Cerre, correspondente do canal ABC. Young, 62, falou com a Billboard sobre o filme. Pergunta -- No filme, um fã de Atlanta o xinga e diz quequer arrebentar seus dentes por causa das canções antiguerra econtra o presidente George W. Bush. Como você reagiu naprimeira vez que assistiu a essa cena? Resposta -- Bom, sabíamos que isso ia acontecer. Não foi aprimeira vez. Aconteceu em muitos lugares. Mas Atlanta tevemuita força. Eles eram muito passionais no modo como se sentiama respeito de nós termos, você sabe... Passado do limite e nosintrometido em algo em que eles acreditavam fortemente. Entãovocê tem de respeitar as pessoas, mesmo que elas estejamenlouquecidas. Elas têm suas crenças. Então tivemos de usar (acena), porque estamos tentando contar a história toda. Houveresponsabilidade jornalística. P -- Ao assistir o filme e recordar-se das reaçõesnegativas do público, há algum rosto ou dedo médio que tenhaficado gravado na sua memória? R -- Eu me lembro de alguns rostos. Há um rapaz de quem melembro bem, mas ele não está no filme. Mas me lembro de muitacoisa de todas as turnês. Esta teve momentos angustiantes. Nãoé uma experiência que gostaria de repetir. P -- Por quê? R -- Acho que, se fizéssemos esse tipo de coisa para oresto da vida, eu viraria a CNN e eu não respeito muito isso. Éfazer sempre a mesma coisa. Não vejo necessidade disso. Gostode ter um programa de longa duração, não um segmentorepetitivo. P -- No filme, Graham Nash fala sobre quando ouviu "Livingwith War" pela primeira vez e teve de decidir se participariada turnê. Houve alguma vez em que você sentiu que levavaCrosby, Stills e Graham para algo prejudicial? Obviamente,vocês tocam para públicos diferentes e fazer turnê com eles nãoé como pregar para um rebanho. R -- Acho que sim, porque eles foram doces por um bom tempoe não faziam nada disso. Mas, se você vir as raízes, se olhar amúsica original, como "Military Madness" e "Ohio", elas têmraízes na mesma mensagem. Só que agora é diferente. Eles têm umhistórico e eu pensei que isso era bom porque voltavam àsraízes. Eles cantam muitas músicas de amor, muitas músicas de queas pessoas gostam. Mas esses caras curtiram 100 por cento. OStephen não gosta que as pessoas não gostem dele e eu orespeito. Ele é muito sensível, eu o entendo, mas mesmo assimqueria fazer isso. Ele disse: 'Sim, vamos fazer' e tocou comseu coração. Mas falava: 'Olha, é como um desenho animadopolítico...' Ele sempre tentava aliviar as coisas. Mas acho queele acreditava no que fazia, senão não estaria conosco. Já Crosby e Nash estavam lá desde o começo porque não ligammuito para a reação do público. Eles não são tão preocupadosporque cantam sobre coisas que importam para eles. E elesconcordavam com as músicas, queriam cantá-las. P -- No filme, você fala que não cantava "Ohio" há anos,porque não queria que ela virasse mercadoria... R -- Penso assim desde o começo. Mas, nesta turnê, ocontexto era histórico, então tocamos. Fiz muitas turnês com abanda e não tocávamos essa música. Era raro. Crosby adora essamúsica, quer tocá-la toda noite. Eu não consigo. É sobrepessoas que morreram, pessoas que possivelmente eram nossopúblico. Poderiam estar na primeira fila dos nossos shows. Eramestudantes. É pra quem a gente toca. P -- O que você espera com o lançamento do filme e do DVD? R -- Discussão. Debate. Fóruns. Você vai ver o que vaiacontecer quando esse filme sair na Internet. Você vai ver aspessoas falando. Será interessante. Vai abrir portas, é isso oque a música faz. Acontece em todos públicos. P -- Você se decepciona com a sua geração? Foi essa a razãopela qual você fez a turnê? R -- Na verdade, sou encorajado por minha geração, porqueela ainda se lembra de muita coisa. Eles tentaram avançar. Osjovens de hoje, que estão na escola, não são ameaçados comominha geração foi. Os jovens hoje pensam: 'Vou trabalhar para oGoogle? Serei sortudo o suficiente para trabalhar para oGoogle? Para quem vou trabalhar? Talvez trabalhe para umaempresa ambiental. Talvez tenha um emprego bacana. Talvez sejadesigner, talvez faça moda. O que farei com a minha vida?' Isso é diferente de: 'Não quero ir para o Vietnã. Não queroir para o Afeganistão. Não quero ir para o Paquistão.' Se nãohá ameaça, não há protesto. Minha geração ainda tem o fogo.Ainda faz muito barulho por causa do Bush. Quando os vejo naplatéia, não me decepciono. Fico orgulhoso, porque ainda estãolá. Ainda se lembram de como era. P -- No disco, você agradece Bob Dylan pela inspiração.Você deu um CD para ele? Ele ouviu? R -- Acho que não. Não dei um para ele. Imagino que eletenha ouvido parte do disco. Pode ter ouvido tudo. Realmentenão sei. Falei com ele alguns anos atrás, talvez um ano e meio.Ele gostou do show que fiz para nova Orleans na TV. Ele viu eme ligou para dizer que gostou. Eu também ligo para ele paradizer que ele é ótimo. Porque alguém tem que dizer. Você podeachar que todo mundo diz isso, mas eu não sei. Eu só queromostrar como me sinto, porque adoro o cara. Acho que é umexcelente artista. Aí, ele retornou o favor. Temos umaamizade.

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