WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Sam Smith faz show romântico no Rock in Rio e pop conhece seu novo herói

O jovem britânico, de 23 anos, mostrou-se um cantor sublime e estudioso; ele começou a apresentação com a certeira 'Only One'

João Paulo Carvalho, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2015 | 23h58

Certinho, correto e musicalmente impecável. Sam Smith é do tipo que nunca desafina. Similar ao aluno nota 10 da classe. Aplicado, estuda a matéria toda e sempre tira boas notas. Não há surpresas nas provas.

O que se viu na noite deste sábado, 26, no Palco Mundo do Rock in Rio, foi um cantor sublime e estudioso. O jovem britânico de 23 anos começou a apresentação com a canção certeira: Only One.

O hit apaixonante logo fez os casais se abraçarem. Sam sabe da força da sua música e, justamente por isso, não se esforça muito. Seu timbre de curto alcance vocal o favorece no palco. Para que se arriscar, portanto?

O sucesso de Sam pode ter muitas explicações, mas a mais pertinente delas ficou clara na performance ao vivo. Ninguém fala de amor com tanta lucidez quanto ele. Sam canta com a alma e não tem vergonha disso. "Obrigado ao cara que partiu meu coração. Isso me proporcionou 4 prêmios Grammy", disse ele após levar as estatuetas no prêmio deste ano. Assumidamente homossexual, Sam é um embaixador das causas LGBT pelo mundo.

Sam Smith banca o aluno aplicado mesmo quando interpreta músicas que não são suas. Em Tears Dry On Their Own, de Amy Winehouse, ele não inova. Canta com sutileza o sucesso da cantora britânica. Até porque não quer comparações. Ele não gosta de correr riscos, o que não é ruim.

Na balada Lay Me Down, ele mostra sua delicadeza vocal ao expressar com tristeza o fato de estar longe de quem realmente ama.

Sam, que antecedeu Rihanna na penúltima noite do Rock in Rio, confessou que é fã da cantora e que assistiu a um show dela quanto tinha apenas 15 anos.

Engomadinho, Sam sabe atrair o público para perto porque ultrapassou a barreira intransponível do falar de amor sem ser pedante e pegajoso. Talvez até seja, na verdade. Mas não há julgamentos lá muito criteriosos diante de um Sam com o coração quebrado. O pop precisa, sim, de melancolia e hits chicletes. O britânico fez na noite de sábado o que nenhuma banda de rock headliner conseguiu fazer: encantar.

Stay With Me deu números finais à apresentação do britânico em terras brasileiras. Tiramos, portanto, algumas boas lições do show: não é brega falar abertamente sobre amor e, o mais importante, não é ruim ser popular. Sam Smith ensinou aos críticos que amor é fundamental, embora pareça óbvio. O pop não precisa se reinventar para ser bom. Ele só precisa de qualidade.

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