Danny Moloshok/Reuters
Danny Moloshok/Reuters

Em VMA politizado, Kendrick Lamar se consagra com seis prêmios

Premiação da MTV, dominada por rapper americano, é termômetro da indústria musical durante o ano

O Estado de S. Paulo

28 Agosto 2017 | 04h06

O grande vencedor do Video Music Awards (VMA), premiação anual da MTV para a indústria de videoclipes, foi o rapper Kendrick Lamar. Com o seu aclamado disco “DAMN.”, lançado em abril, Lamar arrebatou meia dúzia de estátuas  incluindo a principal, de melhor vídeo do ano para “Humble”.


Apesar do briânico Ed Sheeran ter recebido o “astronauta” como o artista do ano, a cerimônia realizada na Califórnia teve mesmo como protagonista Lamar, que também arrebatou os prêmios de melhor vídeo de hip-hop, direção, cinematografia, direção de arte e efeitos visuais.


A noite, que contou com shows dos dois artistas , também teve apresentações ao vivo de Miley Cyrus, Shawn Mendes, Demi Lovato, e mesmo do setentão Rod Stweart, que cantou “Do ya think I’m sexy?”, de 1978, com o grupo DNCE. A cantora neozelandesa Lorde apresentou “Homemade Dynamite”, do seu último disco, “Melodrama” – mas, devido a uma gripe, ela apenas fez um número de dança.


Nas redes sociais, o principal momento da premiação foi o lançamento do clipe de “Look What You Made Me Do”, deTaylor Swift. Cheio de referências indiretas à própria carreira da cantora e a outras polêmicas em que ela esteve envolvida nos últimos anos, o clipe, o primeiro de um aguardado álbum de inéditas, chegou a 10 milhões de visualizações no YouTube poucas horas após seu lançamento oficial.


Outra discussão envolveu o hit Despacito”, de Luis Fonsi e Daddy Yankee, que não recebeu nenhuma indicação no VMA, apesar de a música estar na liderança das paradas americanas há meses e o clipe ser o primeiro a ultrapassar 3 bilhões de visualizações no Youtube.  

Emoção e política. A cerimônia contou com momentos que foram além da música. Em uma das intervenções musicais da noite, o também rapper Logic se apresentou com “1-800-273-8255”, música cujo título remete ao número de telefone para prevenção ao suicídio nos Estados Unidos. Junto com o cantor, subiram ao palco Alessia Cara (vencedora na categoria “melhor vídeo de dance music) e Khalid (artista revelação), além, de pessoas que já tentaram suicídio alguma vez na vida. A cantora Kesha, que passa por uma reconstrução na carreira, também deicxou sua mensagem: “contanto que você não desista de você, a luz vai avançar pela escuridão”.


Ao receber uma homenagem pela carreira, a cantora Pink também causou comoção imediata com um discurso sobre sua filha. O cantor e ator Jared Leto, da banda 30 Seconds to Mars, prestou homenagem ao vocalista do Linkin Park Chester Bennington, que cometeu suicídio no mês passado, e Chris Cornell, que também se matou em maio. “Me escutem, vocês não estão sozinhos. Sempre há um caminho a seguir. Os alcance. Compartilhe o que você pensa, e não desista”, afirmou o vocalista.

 

A tradição do VMA de se posicionar politicamente também ficou aparente na noie deste domingo, quando o pastor Robert Wright Lee IV, descendente direto do general confederado Robert E. Lee (cuja estátua foi o centro da polêmica que gerou os violentos protestos raciais de Charlottesville, há duas semanas), subiu ao palco para um pesado discurso. “Como pastor, é meu dever discursar contra o racismo, o pecado original da América”. O reverendo subiu ao palco ao lado de Susan Bro, a mãe de Heather Heyer, avítima fatal do atentado de Charlottesville.

A filha de Michael Jackson, Paris, de 19 anos, também se posicionou sobre o tema: “precisamos mostrar para ests nazistas babacas e supremacistas brancos, em Charlottesville e no resto do país, que como uma nação tendo a liberdade como lema, temos zero tolerância com a violência deles”, disse Paris. “Nos precisamos resistir”./AP E AFP

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