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Em 'Vista Pro Mar', a insustentável leveza de Silva

Músico capixaba lança seu segundo trabalho, já à venda no iTunes

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2014 | 03h00

A visão do mar como uma extensão da piscina do hotel foi inspiradora. Uma catalisadora de ideias já maturadas ao longo da turnê de Claridão, seu disco de estreia lançado em 2012. O músico capixaba Lúcio Silva, de 25 anos, passava férias em Miami, nos EUA, onde mora a irmã, quando se deparou com esse cenário à beira da piscina. Estava na companhia do irmão Lucas, seu parceiro de composição.

Na época, Silva – nome artístico de Lúcio – já planejava um novo disco, mais "ensolarado" que o denso Claridão, e Lucas, na mesma sintonia, sacou de imediato uma sugestão de título: Vista Pro Mar. E assim Silva batizou seu segundo trabalho, já à venda no iTunes e em formato físico a partir do dia 31 de março (Slap/Som Livre; R$ 24,90).

Vista Pro Mar traz menos manipulação eletrônica que Claridão. Isso porque, desta vez, o cantor e compositor experimentou convidar outros músicos para participar de seu disco, ocupando guitarra, violão, trompete, trombone, saxofone, percussão e bateria. O próprio Silva, multi-instrumentista, assume piano, violino, baixo, também guitarra e violão, além de sintetizadores, programação e vocais. Ficou audivelmente mais orgânico – mesmo que ainda tenha a presença de elementos eletrônicos. "Sou um pouco controlador, mas não é no mau sentido. É que sempre fiz tudo sozinho. Penso: ‘Será que o cara vai entender o que estou querendo?’. Rola essa insegurança", explica. "(Ter outros músicos) é algo que estou experimentando aos poucos."

E quando ele diz "tudo sozinho", não é força de expressão. Claridão foi um disco de um homem só, completamente autoral. Silva produziu o CD em sua casa. "Sou um músico de quarto", brinca. Ele já havia atravessado uma jornada assim, solitária, durante a gravação de seu EP, com cinco canções, lançado em 2011. que o alçou à condição de ‘revelação’ depois do sucesso que o projeto fez na internet.

No disco de estreia, foi o mesmo processo. Um pouco porque ele, que havia retornado ao Brasil após uma temporada na Irlanda, não conhecia muitos músicos por aqui. Um pouco porque ele estava – com a licença do bordão – em busca da batida perfeita. "Eu tinha referência de umas bandas gringas e queria, por exemplo, um som de bateria específico. Quando chegava a um estúdio normal, eu não conseguia ter aquele som", diz. "Comecei a ficar incomodado com aquilo. Imaginei: ‘Se eu fizer em casa, manipulando o som, consigo, ao menos, me aproximar mais da sonoridade que gosto. Foi uma saída boa".

O show de Claridão seguiu a mesma formação de uma homem só – mais Hugo Coutinho na bateria. Foi um ano e meio fazendo shows, com passagem por Portugal. Aliás, foi no país que ele gravou Vista Pro Mar, em um estúdio indicado por Marcelo Camelo, e, em fevereiro, fez apresentação como convidado na final do programa Factor X.

No tour, Silva foi testando, no palco e na raça, a matriz eletrônica de Claridão e percebeu que a introspecção de algumas músicas não funcionava tão bem ao vivo. "Fui mudando o repertório, porque é mais legal compartilhar alegria do que o tédio." Em paralelo, passou a ouvir músicas brasileiras que não conhecia tanto. Mergulhou no universo do pianista João Donato e sua sonoridade "alto astral".

Todo esse histórico, mais a tal visão paradisíaca lá em Miami, era o que Silva precisava para chegar à leveza de Vista Pro Mar. O álbum reúne 11 canções, partindo da faixa-título, com uma batida dançante, em que Silva expõe seu espírito self-made man: ‘Eu sou de remar, sou de insistir, mesmo que sozinho/só vai se afogar, quem não reagir, mesmo que sozinho’. Entardecer inicia com um clima praieiro e finaliza numa levada reggae. Ainda soa como uma manhã ensolarada, com direito a som de passarinhos ao fundo. Já Okinawa tem participação especial de Fernanda Takai. "Sempre gostei do jeito dela: pé no chão e cuidadosa com a carreira." Silva engata nova turnê, com parada no dia 5 de abril, no festival Lollapalooza, em São Paulo.

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