Foto do violinista David Garrett Foto Divulgação
Foto do violinista David Garrett Foto Divulgação

Em turnê pelo Brasil, David Garrett vai do erudito ao popular

Violinista alemão faz show extra neste sábado, no Espaço das Américas, em SP, transitando de Bach a Coldplay

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

25 Julho 2015 | 03h00

Aproximar a música clássica da popular não é uma façanha dos artistas contemporâneos. O violinista alemão David Garrett, de 34 anos, um dos principais representantes atuais dessa ‘militância’, costuma citar que grandes compositores como Bach e Beethoven traziam para sua obra elementos populares para atrair o público. E não vê nada de errado nisso. Garrett está no Brasil com seu South America Tour, com o qual já passou por Porto Alegre e Curitiba. Em São Paulo, já se apresentou na sexta-feira, dia 24, no Espaço das Américas, com ingressos esgotados, e faz show extra neste sábado, dia 25, no mesmo palco. Depois, segue para o Rio (dia 28) e Brasília (dia 29).

Em entrevista ao Estado, já no Brasil, Garrett diz não levar em consideração as críticas. “Críticos sempre estiveram lá e são pagos por seu trabalho. Se eles não tivessem nada para criticar, eles não teriam dinheiro para pagar os impostos”, provoca ele. “É importante criticar alguma coisa que é ruim. Uma vez que não faço nada ruim, realmente não considero as críticas válidas.” 

Guardadas as devidas proporções, outro violinista, o holandês André Rieu, trilha o mesmo caminho de convergência do erudito e do popular, mas com uma roupagem, digamos, mais extravagante. Garrett, por sua vez, investe em uma linha mais cool. 

Munido de seu violino “Adolf Busch” Stradivarius, de 1716, David Garrett transita da Rapsódia n.º 24 de Paganini ao clássico metal Nothing Else Matters, do Metallica, e November Rain, do Guns N’ Roses. Ainda do universo pop rock, gravou um clipe tocando Viva La Vida, do Coldplay, que já teve quase 15 milhões de visualizações no YouTube. Para o repertório do Brasil, trouxe Tico-Tico no Fubá, do brasileiro Zequinha de Abreu – que Garrett, aliás, já executa há alguns anos em seus concertos internacionais. Ele explica que, para sua turnê pela América do Sul, pensou em um repertório que funcionasse localmente. “Tentei ter certeza que o material que eu fosse tocar seria algo que as pessoas daqui reconhecessem.”

Nascido em Aachen, Alemanha, Garrett é filho de uma bailarina americana e de um advogado e leiloeiro alemão. Aos 4 anos, o violino comprado pelo pai e destinado a seu irmão mais velho acabou lhe atraindo a atenção. Aprendeu o instrumento e, depois de um ano, ganhou o 1.º lugar de um concurso local. Começou a se apresentar aos 7 anos e, aos 10, já era considerado prodígio no cenário erudito. 

O músico garante que ter despontado tão cedo não impactou sua vida, nem no passado nem no presente. “Obviamente, foi um tempo de muito trabalho e reunião de experiências.” Para ele, como era ter esse rotina enquanto as outras crianças levavam uma vida “normal”? “É difícil para mim fazer comparação com outras crianças, porque tive minha própria vida especial, que não há nenhuma maneira de comparar”, diz. “Era todo o foco em praticar, viajar, aprender, executar. Meus pais, claro, também me faziam cumprir a lição de casa, mas isso nunca foi uma prioridade.” Nos EUA, se graduou na conceituada Juilliard School, em Nova York. Aos 15 anos, lançou seu disco de estreia com obra de Mozart. Após anos contemplando Paganini, Tchaikovski, entre outros, nos concertos, o “David Beckham do violino” – apelido que ganhou por causa da garbosa figura – passou a se enveredar também pelo pop rock. “A música é sempre algo que você precisa promover”, diz. “Se você acredita em um grande projeto, deve sair para promovê-lo. Essa é a minha filosofia.”

DAVID GARRETT

Espaço das Américas. R. Tagipuru,795, Barra Funda. Hoje (25), às 22h. R$ 250/R$ 600

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