Madonna no Madison Square Garden, em setembro de 2015. Foto: Krista Schlueter/The New York Times
Madonna no Madison Square Garden, em setembro de 2015. Foto: Krista Schlueter/The New York Times

Em turnê até março, Madonna segue cheia de planos e cortejando controvérsias

Tour inclui 23 músicas escolhidas desde o começo de sua carreira, em 1982, até o presente, sobre o tema do 13.º álbum de Madonna gravado em estúdio, Rebel Heart

Cindy Pearlman, THE NEW YORK TIMES

29 de setembro de 2015 | 03h00

Dizer que Madonna gosta de provocar deliberadamente quando leva um novo espetáculo em turnê é como dizer que o papa é ..., vocês sabem. “Vamos falar a verdade. Fiz isto durante toda a minha carreira”, disse o ícone pop. “Levanto esta bandeira o tempo todo.”

Madonna falou por telefone de sua casa em Nova York durante os ensaios do show Rebel Heart. Serão ao todo 64 espetáculos exibidos em 43 cidades da América do Norte, Europa, Ásia e Austrália, até março de 2016. A produção teatral, abundantemente coreografada, como é de praxe, inclui 23 músicas escolhidas desde o começo de sua carreira, em 1982, até o presente, sobre o tema do 13.º álbum de Madonna gravado em estúdio, Rebel Heart, que foi lançado em março e alcançou o segundo lugar na Billboard 200.

“Tem tudo, romance, amor, viver para o amor, ser um coração rebelde”, contou a superestrela de 57 anos. “Tudo entrelaçado – a ambição de chegar lá em cima, viver nos sonhos dos outros, superar a dor de amor. Você sabe, as coisas simples da vida”, acrescentou rindo.

Os shows anteriores de Madonna – inclusive a turnê de MDNA de 2012, que faturou US$ 305,2 milhões, tornando-se a 10.ª em faturamento – têm roteiro próprio, temas conceituais que jogam com convenções sexuais e religiosas e com questões políticas e ambientais. “Acho que o meu trabalho trata de temas bastante complexos”, observou também.

Seus fãs a consideram ambiciosa e inventiva e a revista Rolling Stones proclamou a turnê mundial Blond Ambition, de 1990, o maior concerto daquela década. Por outro lado, os melindrosos a consideram blasfema e ocasionalmente protestam diante dos teatros onde ela leva seus shows. As autoridades de Toronto ameaçaram prendê-la por causa de algumas de suas imagens naquele mesmo show.

Madonna, que nasceu Madonna Louise Ciccone, e vendeu mais de 300 milhões de discos, o que lhe valeu a inclusão no Guinness como a artista que vendeu mais discos em todos os tempos, evidentemente adora o seu papel de provocadora pop consagrada. “É uma coisa natural para mim”, disse Madonna. “Não sei de onde vem, faz parte da minha natureza. Está no meu DNA pegar ideias e convenções e desafiar as normas, questionar, virar as coisas do avesso.”

“Não é que eu não respeite as ideias e as crenças das pessoas. Eu respeito, mas é preciso contestar ideias e crenças, pelo menos para as pessoas se fortalecerem naquilo que acreditam, para que as pessoas se façam perguntas: Por que acredito nisso? Por que isso me define? Acho que é importante as pessoas questionarem a si mesmas e aos outros. Acho que objetivo da arte é este, e é o que levo em conta ao montar um show”, disse Madonna.

A turnê Rebel Heart é o décimo grande show da diva e o último no seu contrato de dez anos com a Live Nation Entertainment, que também inclui seus álbuns e produtos. A parceria tem sido lucrativa: 4 turnês anteriores venderam 7,8 milhões de ingressos e faturaram mais de US$ 1 bilhão de bilheteria.

Ela criou um exército de colaboradores para dar vida às suas ideias, associando-se à Moment Factory de Montreal, que também trabalhou em sua apresentação no Super Bowl XLVI e na turnê MDNA, para multimídia que inclui um vídeo filmado para esta finalidade do ex-campeão de boxe, Mike Tyson, recriando o clipe dele no vídeo para a música Iconic de Rebel Heart. O show foi dirigido por Jamie King, que trabalhou com Madonna em turnês anteriores e também com Iggy Azalea, Cirque du Soleil, Michael Jackson, Rihanna e Britney Spears. Megan Lawson e Jason Young são os autores das coreografias dos 20 bailarinos em números complexos, em geral acrobáticos.

“Comecei como bailarina, por isso dançar é importante para mim. Procuro descobrir os bailarinos mais originais, únicos, para trabalhar com eles e contar uma história que inspirará as pessoas e mudará suas vidas. É um objetivo ambicioso, mas é o que precisamos ter – grandes objetivos”, afirmou ainda Madonna.

Ela tentou fazer o mesmo com os figurinos, com várias mudanças de roupas criadas tanto por estilistas clássicos quanto supermodernos, como Alessandro Michele de Gucci, Miu Miu, Prada, Jeremy Scott, Alexander Wang e outros. Ao todo, em cada apresentação são utilizadas mil peças de vestuário e 500 pares de sapatos feitos especialmente para a companhia.

No entanto, o show fala de música e Madonna informou que o mais difícil foi criar a lista do set. Embora Rebel Heart tenha o próprio tema em torno do qual ela montou uma estrutura, utilizar e escolher material de 13 álbuns e cerca de 40 entre os 10 maiores sucessos nunca é tarefa fácil.

“É difícil escolher”, ela admite. “Às vezes, preciso deixar coisas que amo porque não se enquadram, não são adequadas ao tema. Embora adore esta música, preciso fazer algo novo. Em geral, gosto das minhas canções mais abstratas, menos comerciais”, prosseguiu. “Mas preciso incluir músicas que as pessoas conhecem, que querem cantar comigo”, lembrou.

O show Rebel Heart encontra o equilíbrio, dando aos fãs três faixas entre favoritos como Material Girl (1984), Dress You Up (1985), La Isla Bonita (1987) e Who’s That Girl (1987, juntamente com trechos de outros shows, como Everybody (1982), Lucky Star (1984) e Into the Grove (1985). Ela também usa o clássico de Edith Piaf de 1945, La Vie en Rose.

“Às vezes, tenho de ser realmente cruel e cortar títulos”, revelou. “É difícil. Mas, de certo modo, é como editar um filme, porque há cenas que você adora, mas que não ajudarão a contar a história, e, portanto, é preciso jogá-las fora.”

Evidentemente, há pessoas que imaginavam que Madonna tivesse deixado há muito tempo esse tipo de espetáculo, que a certa altura tivesse reduzido suas produções e certamente tivesse abandonado a coreografia exaustiva que marcou sua carreira.

Nada disso. Casada duas vezes, mãe de quatro filhos, ela é inflexível: ainda é capaz de fazer isso e parece ofender-se com qualquer insinuação de que não talvez não possa mais dançar. “Minha vida é totalmente disciplinada”, garantiu. “Não tenho uma vida muito social. Ela gira em torno do meu show e dos meus filhos e procuro vivê-la de maneira muito saudável. A única coisa de que sinto falta é de sono – como sempre.”

Acima de tudo, ela disse ainda ter o dinamismo que manterá seu coração rebelde batendo no futuro previsível. “Ainda me sinto ativa, inspirada pela vida. Não acho que exista um prazo para a inspiração, para a capacidade de criar. Acho que enquanto tem mais coisas para dizer, você continua indo em frente. Eu ainda tenho coisas para dizer, por isso vou em frente!, acrescentou a estrela. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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