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Em show de voz e violão, Daniela Mercury dá nova leitura a hits

Cantora baiana faz versão minimalista de seu repertório axé

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

31 Julho 2015 | 04h00

Com 50 anos completados nesta semana, Daniela Mercury continua a se lançar desafios. Desta vez, a cantora e compositora baiana se apresentará, pela primeira vez, sem sua banda, no formato voz e violão. Assim, estarão somente ela e o violonista Alex Mesquita no palco do Teatro J. Safra, em São Paulo, desta sexta, 31, a domingo, 2, com o show Daniela Mercury, a Voz e o Violão.

Acostumada a coreografar movimentos amplos durante seus shows, ao som de praticamente uma orquestra percussiva, Daniela agora se adapta ao tom minimalista que esse tipo de apresentação pede, incluindo gestos, voz e sonoridade. “Tentamos traduzir as canções, músicas nucleares como O Canto da Cidade, Música de Rua, Rosa Negra, Você Não Entende Nada, em um ritmo interessante no violão”, conta Daniela. 

“O próprio Toquinho veio para a Bahia e fez sambas com Vinicius (de Moraes), e pegou muito dessa batida que a gente tem aqui. Fez Escravo da Alegria, Meu Pai Oxalá. Agora, ficou para mim, nesse show de voz e violão, o desafio de fazer com o samba-reggae o que eles fizeram com outros sambas. Numa gravação ‘normal’, tem que ter quatro repiques, chegamos a ter 11 surdos numa música só. E, então, escolhemos o que é que ia ficar no violão, porque dá para colocar alguns instrumentos no arranjo do violão, mas não dá para colocar tanta gente, não (risos)”, completa ela. 

O repertório vai dos primeiros discos da cantora até as mais recentes composições. Daniela conta que também cantará músicas de outros compositores, aos quais gostaria de dar a própria interpretação, como Super-Homem - A Canção, de Gilberto Gil. “É mostrar que tudo é MPB, tudo é samba. Vai ter um momento no show que vou comparar as diferenças entre os sambas. Mesmo que a gente faça outros ritmos brasileiros, o samba sempre está mesclado, seja maracatu, seja xote.”

Daniela lembra que, depois que começou a se destacar na cena musical brasileira, Chico Buarque, com quem tinha cantado, perguntou quando ela iria mostrar seu disco de MPB. “Eu faço MPB, mas tenho de achar meu caminho de fazer isso”, disse. “E meu caminho foi agregar percussões, e trazer um samba novo, reforçar para o mundo o samba-reggae”, afirma a cantora, que levará esse show também para outros países, como Argentina, Portugal e França.

Aos 50 anos, eterna rainha do axé se dedica a novo disco

Na terça-feira, dia 28, Daniela Mercury celebrou seus 50 anos em Salvador, sua terra, com amigos e parentes. No dia anterior, as comemorações já haviam começado com os fãs e, diverte-se ela, “devem continuar até o carnaval”. “É um momento de reflexão. Com 50 anos, ou você fez algo até então ou vai ter que se sacudir para fazer nos próximos 50.” Casada com a jornalista Malu Verçosa, Daniela diz que está mais feliz. E que achou lá atrás que, quando chegasse a essa idade, iria diminuir o ritmo de trabalho e atuar mais na área social. O ritmo desacelerou um pouco, admite, mas a agenda de shows permanece intensa, assim como sua produção na música. Ela se dedica a um novo álbum, ainda sem título definido, que deve ser lançado em outubro. “É um disco autoral”, adianta ela. “A canção Rainha do Axé dá a linha do álbum.” Essa música, Daniela incluiu no repertório de seu show de voz e violão. Nela, fala como o brasileiro “se desmerece, como sempre acha que não está fazendo nada direito”. “E acho que o Brasil tem um jeito particular de fazer tudo”, observa. Do novo trabalho, conta ainda que há uma homenagem a Gil, em De Deus, De Alah, De Gilberto Gil, música e letra de Daniela. “Falo muito de Deus no meu disco.” / A.D.R.

 

DANIELA MERCURY

Teatro J. Safra. R. Josef Kryss, 318, Barra Funda, tel. 3611-3042. Sexta (31) e Sábado (1º), às 21h30; dom. (2), às 20h. R$ 90/ R$ 220.

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