Em São Paulo, a nata do Buena Vista

E vem aí o expresso cubano do Buena Vista de novo. O grupo chega na próxima semana a São Paulo para uma apresentação única no Via Funchal, quinta-feira, dia 30, às 21h30. Não é o time todo, mas é a nata da nata: o cantor Ibrahim Ferrer, a cantora Omara Portuondo e o pianista Rubén González."Eu te digo com franqueza: não tenho essa coisa de a primeira vez, tudo é sempre muito natural para mim", disse , por telefone desde Buenos Aires, o cantor Ibrahim Ferrer, 73 anos, ex-engraxate cubano e uma das maiores estrelas do Buena Vista. Ele referia-se ao fato de que, após quatro anos excursionando com o grupo de músicos reunidos pelo guitarrista norte-americano Ry Cooder, voltaram a tocar em agosto no Teatro Karl Marx, em Cuba."Para mim, é tudo como se fosse sempre a primeira vez" afirmou. "É preciso esclarecer também que Compay Segundo e Elíades Ochoa têm seus próprios grupos e, se não há um contrato, não têm como excursionar conosco", ele explicou, comentando a ausência dos outros dois astros no show."Eu gostaria de reencontrar aí em São Paulo uma intérprete e pianista maravilhosa que nós vimos em Cuba, Tânia Maria", revelou a cantora Omara Portuondo. Ela, uma das maiores intérpretes da música cubana de todos os tempos, acaba de lançar pela Warner Music o disco Omara Portuondo, em que canta son, guajiras e boleros e outros standards da música da ilha.Omara contou que suas maiores influências no início da carreira foram a cubana María Tereza Vero, "que sempre me inspirou muito", e também a música francesa de Edith Piaf. "Estivemos juntas no mesmo cenário, há muitos anos atrás, quando você provavelmente nem tinha nascido", afirmou."Também tive grande influência do jazz e da música brasileira", disse a cantora, que conta ter ouvido muito Maria Bethânia, Chico Buarque e Sérgio Mendes, que conheceu no Japão, nos anos 70.Sobre o fato de terem instituído um prêmio Grammy para artistas latinos este ano, Omara brincou. "Ibrahim Ferrer foi indicado como artista revelação, não foi?", ela disse. "Bom, aos 73 anos... deve ser porque é a primeira vez que ele chega ao grande público, mas é melhor que falem da gente do que não falem".Segundo Ibrahim Ferrer, que gravou este ano o seu primeiro disco solo após quase 60 anos de carreira, o problema é que antes, em Cuba, não se gravava muita coisa. "Tenho outras gravações, mas é que meu nome nunca aparecia; aparecia antes o do diretor, o cantor, o compositor, mas nunca o de Ibrahim", ponderou.Omara Portuondo diz que a coisa que une de fato todo o time do Buena Vista é que eles, em algum ponto da carreira, trabalharam com Rubén González. O pianista Rubén González, 81 anos, ex-estudante da faculdade de Medicina, abandonou a faculdade para se dedicar à música. Integrou os grupos de Arsênio Rodriguez e a orquestra Los Hermanos, com Mongo Santamaría, dois dos maiores expoentes da música cubana nos anos 40 e 50.Neste show na Via Funchal, González, Ferrer e Omara estarão acompanhados por mais 16 músicos: Lázaro Villa Morgan (vocais), Luis "Guajiro" Mirabal (trompete), Alejandro Pichardo (trompete), Demetrio MuÏiz (trombone), Jesús "Aguaje" Ramos (trombone), Javier Zalba (flauta, clarineta e sax barítono), Pantaleón Sanchez (sax alto), Rafael "Jimmy" Jenks (sax tenor), Toni Jiménez (sax tenor), Ventura Gutiérrez (sax barítono), Angel Terry Domech (congas), "Filiberto" Sánchez (timbales), Roberto García (bongos), Adolfo Pichardo (piano com Ibrahim Ferrer), Orlando "Cachaito" López (baixo) e Manuel Galban (violão).

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