Em novo disco, Rhaissa Bittar dá vida a objetos do cotidiano

Lançado hoje, 'Matéria Estelar', segundo álbum da cantora, tem projeto visual assinado por Jum Nakao

MURILO BOMFIM, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2014 | 07h00

Pelo menos uma nova palavra foi aprendida pelos membros da equipe que produziu o disco Matéria Estelar. Inicialmente, chamavam de fábula (histórias que humanizam animais), mas acabaram por descobrir que é “apólogo” o nome que se dá às narrativas que dão vida a personagens inanimados. E é isto que a cantora Rhaissa Bittar faz em 12 das 14 músicas de seu segundo álbum, que tem lançamento virtual hoje, pela Panela Produtora. O disco está disponível no site www.materiaestelar.com.

A ideia já existia em algumas faixas do disco de estreia de Rhaissa, Voilà (2010), e agora ganha mais força. Compositor da maioria das faixas, Daniel Galli chegou a comprar alguns dos objetos para, só então, criar a letra. Um exemplo é A Lista, que conta a história de uma lista telefônica que estava esquecida no Sebo do Messias e, no fim, acabou virando obra de arte na Bienal. “Comecei a me perguntar que lista era essa e fui pesquisar na internet”, diz Galli, que acabou encontrando uma icônica lista vermelha no Mercado Livre.

Da Índia veio a torre que aparece em O Sacrifício. Na letra, um cavalo de um jogo de xadrez conta sua saga para salvar a rainha. Apesar de ser derrotado, contenta-se em dizer que o “sacrifício foi o início de um belo xeque-mate”.

Os objetos foram um prato cheio para o designer Jum Nakao, convidado para criar a arte do disco. Para Rhaissa, Nakao era uma referência pela obra A Cultura do Invisível, desfile de 2004 em que modelos exibiam belíssimas roupas de papel, rasgadas ao final. “Precisávamos de alguém que conseguisse transformar as histórias em imagem”, explica a cantora.

Matéria Estelar tem ótimas participações especiais, como a Spok Frevo Orquestra que preenche a música O Guarda Chuva, sobre um guarda-chuva velho que virou uma sombrinha de frevo. Paulo Padilha, Paulo Tatit, Paulo Moska e Paulinho Boca de Cantor interpretam quatro palitos – que também se chamam Paulo – na divertida Palitoterapia. No chorinho, cada um tem sua reclamação sobre a vida apertada em uma caixa com outros 39 colegas.

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