Em novo disco, Capital Inicial se une a bandas como Far From Alaska e CPM 22

Em novo disco, Capital Inicial se une a bandas como Far From Alaska e CPM 22

O álbum 'Sonora', o 20.º da carreira da banda, tem produção de Lucas Silveira, do Fresno

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2019 | 03h00

Para o Capital Inicial, o encontro com outras gerações do rock não vem de hoje. Dinho Ouro Preto, vocalista da banda, lembra que eles sempre convidaram grupos para abrir seus shows. Mas, no novo disco da banda, Sonora, o 20.º da carreira, essa aproximação se consolida de fato, com a participação das bandas de rock indie Scalene, Far From Alaska e CPM 22 – e com a escolha do produtor, Lucas Silveira, do Fresno. Afinal, foi na casa de Lucas que o conceito de Sonora começou a ser delineado. 

“Há 1 ano, fui chamado pelo (grupo) Supercombo para tocar com eles uma reinterpretação do próprio repertório deles, depois iam colocar em seu canal no YouTube”, conta Dinho, que já conhecia e gostava do som da banda. “Sempre tive interesse pela renovação do rock brasileiro, pelas bandas novas, sempre usei minhas redes sociais para promover, para dar visibilidade a algumas bandas começando. Acredito que o rock brasileiro não pode ficar estagnado, ele precisa de renovação. Não somos nós, veteranos, que vamos determinar a saúde do rock brasileiro. Fui lá, cantei com os caras. Depois da gravação, começamos a falar sobre rock, novidades, dificuldades.”

Foi por meio deles também que Dinho chegou a outras bandas de uma nova geração do rock. Encontrou-se com o pessoal em uma reunião marcada na garagem da casa de Lucas Silveira. Lá, debateram sobre os rumos do rock, sobre shows, sobre possibilidade de realizarem algo juntos. 

Dinho aproveitou a ocasião para mostrar a Lucas uma levada de uma música para a qual não conseguia encontrar um rumo. “Ele gravou minha levada e, no dia seguinte, disse: ‘Acho que a gente pode ir por aqui’.” A solução proposta pelo músico deixou Dinho impressionado. A canção foi Universo Paralelo, parceria dos dois que está no repertório do novo trabalho (e que conta com a participação de Lucas também na faixa). “Essa colaboração, e o fato de Lucas ter apontado para uma direção inesperada, nova, foi a centelha”, completa o vocalista. 

Para o Capital Inicial, portanto, surgiu ali um caminho do que seria o novo álbum da banda, formada ainda por Fê Lemos (bateria), Flávio Lemos (baixo) e Yves Passarell (guitarra). “Acho que você pode se manter fiel à sua personalidade e, no entanto, apresentar novidades, sonoridades novas. O Capital está ali, mas com outra sonoridade.”

Em Sonora, é como se a banda, há mais de 35 anos na estrada, voltasse às origens – em termos de feitura e sonoridade. Grupo de mainstream, o Capital aderiu aos modus operandi de uma banda independente, trabalhando no estúdio que Lucas tem em sua casa. Além disso, a entrada de outros músicos parece ter revitalizado o rock feito pelo Capital – e reativado sua musicalidade mais pesada. O disco é aberto com as boas Parado no Ar, com participação da banda Scalene, e Atenção. A potência aumenta em Tudo Vai Mudar, Tempestade, Velocidade (com participação especial de CPM 22) e Invisível (com ótima presença de Far From Alaska). 

A canção Só Eu Sei (parceria de Dinho, Alvin L e Thiago Castanho) soa como biográfica, ressaltando o lado não tão glamouroso da trajetória do Capital. “Você olha para trás, contempla sua carreira e vê que ela não foi um mar de rosas”, diz Dinho. “Houve momentos de êxtase, de vitória absoluta, mas também de obstáculos, dificuldades.”

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