Em noite sem chuva, Madonna supera desânimo do domingo

Segundo show atrasou 1h35, levou 60 mil ao Maracanã e terminou com a cantora vestindo a camisa da seleção

Lauro Lisboa Garcia, enviado especial,

16 de dezembro de 2008 | 11h17

Sem chuva, com atraso de 1 hora e 35 minutos, mas sem os problemas do domingo, 14, Madonna cantou para 60 mil pessoas no segundo show da turnê Sticky & Sweet no estádio do Maracanã (no domingo foram 70 mil, segundo a produção). Nada mau para uma segunda-feira. No final da apresentação, ela apareceu vestindo a camisa amarela da seleção brasileira de futebol e se enrolou na bandeira do Brasil. O show, de certa forma, mexeu com a rotina da cidade, mas a ida ao estádio, bem como a entrada do público, que chegou mais tarde e aos poucos, foi tranqüila.  Veja também:Após o show, Madonna faz festa até de madrugadaVídeo do tombo de Madonna no palco do Maracanã está na webComitiva que transportava Madonna sofre pequeno acidenteEspecial Madonna no Brasil Tudo o que você precisa saber para ir aos shows Galeria de fotos dos fãs à espera do show Galeria de fotos do show   No domingo, a cantora decidiu antecipar o horário do início do show para as 20 horas pontualmente. Começou às 20h30. Na segunda, apareceu em cena só depois das 21h35, o que deixou a platéia impaciente. Momentos depois da apresentação do DJ inglês Paul Oakenfold, que tocou praticamente as mesmas músicas do domingo, os ocupantes da arquibancada ensaiaram vaias diversas vezes. Quando já passava de uma hora de atraso, o estádio inteiro começou a gritar "piranha, piranha, piranha". Mas bastou o show começar para que os fãs, animadíssimos, perdoassem seu ídolo e se jogassem na dance music. Foi um descarrego geral, um lava-almas que redimiu todo o bode do domingo. É curioso como a mídia (a televisiva principalmente) tentou tapar a chuva com a peneira, minimizando os transtornos que ela provocou, no primeiro show, para quem ficou mais de duas horas tomando banho sem parar. Os sorridentes âncoras dos telejornais disseram que a chuva "não chegou a atrapalhar" a estréia da popstar no Maracanã. Queria ver se diriam o mesmo se estivessem encharcados no gramado. O pé-d’água atrapalhou sim, e muito. Tanto é que a cantora escorregou e caiu duas vezes, teve de cantar debaixo de guarda-chuva e várias vezes assistentes de palco interferiam na cena puxando com rodo a água que se acumulava na passarela. Uniformizada com as capas de chuva, a platéia fez o máximo para compensar os problemas, mas nem de longe a animação foi a mesma da segunda-feira, onde também a paquera rolou mais solta, afinal todos podiam se ver melhor e o humor era outro. Como nos outros shows da turnê, havia um grande número de mulheres e rapazes/casais gays. O bom-humor dava o tom. No gramado, quando um rapaz beijava uma menina, uma mulher que passava (visivelmente alterada pelo álcool) mexeu com os dois dizendo "que beijação é essa!!!", ao que ele retrucou brincalhão: "Que foi, nunca viu um casal hétero?" O tempo seco realmente fez toda a diferença em tudo. Até a própria Madonna - que na noite anterior chegou a aborrecer a platéia por insistir em cantar de improviso uma musiquinha para espantar o aguaceiro - estava mais feliz na segunda e brincou com o fato. "Vocês estão mais animados hoje?" A galera respondeu com um sonoro sim. "É porque não está chovendo." Mais manifestação de entusiasmo. "Vocês estão se divertindo?", continuou. Outra resposta positiva ensurdecedora. E ela emendou: "Eu também".  Além disso, o show também não teve os problemas técnicos de domingo, em que o microfone da cantora falhou (bem como sua voz), o som ficou baixo numa das músicas e havia algo grudado no telão principal o tempo todo interferindo na imagem. Se era uma mariposa, como disseram, devia ser gigante.  Madonna seguiu o roteiro de sempre, dedicou Miles Away (em performance mais bacana do que na noite anterior) "a todo mundo no Rio" e perto do fim provocou: "Mostrem para a rainha que vocês a amam", pedindo para platéia fazer barulho. Foi no momento de interação em que ela aponta alguém do público para escolher uma música que não esteja no roteiro. No domingo foi Express Yourself, que ela cantou bem mal. Na segunda, a escolhida por um rapaz chamado Daniel foi Dress You Up. Até nisso o resultado foi melhor.  No fim, a cantora fez o costumeiro gesto de demagogia dos megastars em estádio, vestindo a camiseta da seleção brasileira de futebol, repetindo sua atitude no Morumbi em 1993. Depois se enrolou na bandeira do Brasil. O Maracanã, previsivelmente, mordeu a isca e urrou. Foi simpático, ela estava inspiradíssima e o público correspondeu à altura. Azar de quem foi só no domingo e saiu com uma impressão não tão boa.

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