Em guerra contra a pirataria, Festival de Verão lança DVDs

Mal terminou a nona edição do Festival de Verão de Salvador - que reuniu mais de 200 mil pessoas no Parque de Exposições no fim de semana - e os organizadores já estão no clima das comemorações dos 10 anos do evento. Os contatos com atrações internacionais de porte significativo para a edição especial de 2008 começam esta semana. Não só o esquema é semelhante ao do carnaval, mas a própria grade de programação, com predominância de bandas e cantores de axé music, funciona como uma prévia da folia baiana. Há um bom contingente de turistas que inclui o festival no programa de férias ou de um feriado prolongado, como o da semana passada em São Paulo. Uma pesquisa realizada pela organização revelou que o público prefere os ídolos locais. De olho na mina de dinheiro que jorra do festival, os "pirateiros" vêm tirando nacos substanciais do bolo. Como os ataques dos piratas vêm ocorrendo desde os primórdios do festival, este ano a organização reforçou a batalha com a campanha "Pirata: tô fora! Só uso original", amplamente divulgada por todo o espaço do evento e pela tevê. Só que o original demora a chegar ao público, ávido por consumo imediato, sem se importar com a qualidade. A apresentação de Carlinhos Brown, em 2006, no Palco Tendências, sai agora em DVD pela Som Livre. Um outro reúne a nata do axé - Daniela Mercury, Chiclete com Banana, Ivete Sangalo, entre outros - em compilação de shows de outras edições. O festival é transmitido por emissoras de rádio e televisão locais e, para coibir a ação de "pirateiros", só uma parte dos shows vai ao ar. No caso das atrações internacionais - Ben Harper, Matisyahu e Gloria Gaynor - só havia permissão para transmitir as cinco primeiras músicas. No entanto, no dia seguinte às apresentações de artistas como Banda Eva, Ivete Sangalo e Timbalada era possível encontrá-las - algumas quase na íntegra - em CD e DVD na mão de camelôs em estações de ônibus, praias, sinais de trânsito, com preços variando entre R$ 4 e R$ 7. Ao final da maratona de 70 shows em quatro noites, Paulo Sobral, diretor de operações da Rede Bahia, subsidiária da Rede Globo que promove e transmite o festival, se mostrava indignado com a situação. "A pirataria nos preocupa muito, mas é praticamente impossível coibir esse tipo de ação. Seria bem-vindo se a Polícia Federal nos ajudasse porque não compactuo absolutamente com essa prática", disse, rebatendo a suspeita de que se algum show estava sendo vendido na íntegra só podia ter saído de dentro do evento. "Há dois tipos de pirataria: uma é aquela que sai diretamente da captação e a outra é amadora, de gente que grava o show direto da TV. Na transmissão colocamos bips, fazemos interferências durante as músicas. Portanto, o consumidor sabe que está comprando uma gravação não autorizada", prosseguiu. Além de Carlinhos Brown, os conterrâneos baianos Margareth Menezes, Ara Ketu, Camisa de Vênus e Olodum, entre outros, lançaram DVDs com shows realizados no festival. Acompanhada de uma banda de 11 músicos, Gloria Gaynor, remanescente da era da disco music, gravou o primeiro de sua carreira ali, na madrugada de sexta. A produção não quis revelar os nomes que tem em vista para 2008, mas é certo que a tendência é reforçar o elenco internacional. "Vimos que foi um sucesso, tanto Matisyahu, como Gloria Gaynor e Ben Harper, que fez um show histórico para a Bahia e para o festival", disse Amaury Peckelman, diretor-geral do evento. Harper teria dito nos bastidores que foi o show de sua vida.

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