Lucas Pasin
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Em escala no Rio pré-Lollapalooza, Pearl Jam surpreende com "Lados B" e convidados

Baterista e guitarrista dos Red Hot Chilli Peppers participaram de show no Maracanã

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

22 Março 2018 | 02h58

Rio - Em sua quinta passagem pelo Brasil, o Pearl Jam volta a mostrar por que sempre deixa saudades. De seu baú de quase 30 anos, a banda de Seattle tirou sucessos e "lados B" para arrebatar o Maracanã por 2h40 na noite desta quarta-feira, 14. O público foi estimado pelos organizadores em 50 mil pessoas – o maior este ano no Rio, deixando para trás o que foi assistir a Phil Collins, Foo Fighters (ambas atrações que tocaram no estádio) e Katy Perry (na Apoteose).

Esta é a turnê World Jam, que chega ao Lollapalooza no próximo sábado, 24 (o vocalista, Eddie Vedder, ainda fará depois três apresentações solo no Citybank Hall paulistano). De surpresa, além do repertório, cheio de canções menos cantaroláveis, vieram dois convidados conhecidos dos roqueiros brasileiros, o baterista e o guitarrista dos Red Hot Chilli Peppers, Chad Smith (que tocou agogô em pé e depois se sentou à bateria de Matt Cameron) e Josh Klinghoffer. O grupo californiano também está em escala no Rio, hospedado no mesmo Hotel Fasano do Pearl Jam, para seguir para São Paulo e se apresentar no Lollapalooza – daí a canja.

Quem acompanha Eddie e companhia sabe que um show nunca será como o outro, tamanha é a quantidade de músicas ensaiadas (fala-se em mais de 200). Os fãs que se baseiam nos últimos set lists se surpreendem. Se no Chile, o último pouso antes do Rio, eles deixaram Black de fora e incluíram Comfortably Numb, do Pink Floyd, e Last Kiss, de Wayne Cochran. No Rio, eles não deixaram seu hit de fora e não bisaram os covers.

Por outro lado, a banda não reprisou em solo carioca músicas escolhidas especialmente para os chilenos, porque não a haviam mostrado por lá em espetáculos anteriores, como Nothingman, Why Go e Got Some. Outra especificidade do Rio foi o cartaz criado pelo artista Ravi Zupa: dois tucanos e um papagaio armados de fuzis, tendo ao fundo uma favela. Zupa explicou que era um tributo ao Rio e ao povo das comunidades, que sofrem com a “desigualdade obscena” brasileira.

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O Maracanã ouviu todas as dez músicas mais frequentes nos shows do Pearl Jam: Even flow, Alive, Porch, Corduroy, Jeremy, Daughter, Better man, Do the evolution e Given to fly,  além de Black. O mar de gente e de celulares, no entanto, demorou a esquentar, diante da sequência inicial de Release, Low light, Small town e Don’t go. Quando vieram All night e Animal, antes de Given to fly, In hiding e Jeremy é que os pulmões começaram a ser exigidos. A noite ainda teria Immortality, Blood, Sleeping e Inside job, momentos em que o público ficou visivelmente mais murcho.

Eddie, como de costume, sacou seu texto em português para agradar a todos. “Estamos muito felizes de estarmos de volta ao Maracanã. Percebemos o quanto sentimos saudades. Sempre pensamos no Brasil”, jurou o cantor, em ótima forma vocal.

Antes de tocar Can’t Deny Me, faixa nova depois de cinco anos sem lançamentos, e “homenagem” ao presidente norte-americano Donald Trump, chamado na letra de “mentiroso” e “ignorante”, ele disse: “Tem uma coisa boa quando o seu país tem um líder péssimo: as pessoas entendem que elas é que devem virar seus líderes”. Mais adiante, o vocalista apareceu com uma máscara de Trump, fazendo graça. Mesmo numa quarta-feira, o longo cover de Neil Young Keep on rocking in the free world segurou a plateia até depois de meia-noite.

A noite foi aberta pelo Royal Blood, com Where are you now?, Lights out, Come on over, I only lie when I love you e Little monster. Com sua formação pouco usual (baixo e bateria, e um teclado eventual), o jovem duo londrino agora também segue viagem para o Lollapalooza.

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