Em Curitiba, Beastie Boys fazem o melhor show

Foram quatro dias, quatro cidades, 35 atrações e um encerramento de classe. O último dia de shows do TIM Festival foi nesta terça-feira, em Curitiba, com a escalação mais pop de todas as cidades. No Rio de Janeiro, todas as atrações foram divididas durante os três dias de show. São Paulo ganhou uma versão confusa, com mudança de local e Daft Punk como grande nome. Vitória ficou somente com os nomes do jazz. Já os curitibanos puderam ver uma seleção dos grupos mais populares em um único dia. O palco para o encerramento foi a Pedreira Paulo Leminski, cenário rodeado de árvores e com uma acústica ótima para grandes shows. O primeiro grupo a entrar no palco foi Nação Zumbi. Tocando para poucas pessoas, já que a maioria chegou somente para ver as atrações internacionais, os únicos brasileiros da noite colocaram o público para pular, principalmente com músicas da fase com Chico Science. DJ Shadow veio na seqüência. E com ele, a chuva, o que não ajudou a manter o público que nessa hora se preocupava mais em se esconder em algum lugar coberto do que em ouvir a música eletrônica do DJ, desconhecido para a maioria ali. O músico, um dos criadores do trip-hop, manteve a política no palco, ao colocar no telão imagens de George W. Bush. Patti Smith, lenda do punk A partir do terceiro show, o palco seria dominado por nova-iorquinos. A primeira representante da cidade foi Patti Smith, lenda do movimento punk do final dos anos 70, fez um show curto, de menos de uma hora. Não precisava de mais. Bastou uma seqüência de Gimme Shelter dos Rolling Stones, seguido do seu maior hit Because The Night para conquistar a platéia. Tudo isso antes de descer até a grade que separava o público do palco para tocar as mãos dos fãs. E a política continuava, com Patti lembrando que ?o governo serve ao povo?, antes de cantar People Have the Power. Com o fim dos discursos políticos, era a vez da diversão. O Yeah Yeah Yeahs fizeram um dos show mais agitados da noite. Karen-O não ficou parada um segundo. Cantou, pulou, dançou, cuspiu, gritou. No palco, parece se divertir mais do que o próprio público. A performance teatral da vocalista foi ajudada pela roupa verde brilhante e pelas máscaras e panos que usou durante o show. Roupa típica para o 31 de outubro, o Dia das Bruxas, porém normal nas apresentações do grupo. Microfonia na Pedreira. Fim do show. Fim da Chuva. Começa a preparação para a grande atração da noite. Os "Boys" surgem sérios, elegantes, de terno Os três MC´s entram e aparentam uma seriedade que não condiz com a apresentação que se segue. Todos de ternos, elegantes, senhores já grisalhos, o ?Boys? do nome parece algo distante. Até eles começarem a rimar. A roupa não impede em nada que Mike D, Ad-Rock e MCA pulem e dancem durante todo o show. Tudo sobre o comando do DJ Mix Master Mike. Não faltaram os clássicos: Sure Shot, No Sleep Till Brooklyn, Intergalactic, Sabotage. Com mais hits do que qualquer outra atração da noite, não fica difícil fazer o público pular a cada comando de um dos rappers. A diversão estava garantida, para o público e para os músicos, principalmente para Ad-Rock, que comemorou seus 40 anos no palco com direito a bolo, champanhe e parabéns cantado em português e em inglês. A disputa de nova-iorquinos poderia ter terminado empatada. Mas um show dos Beastie Boys é diversão em sua forma pura. Mais de uma hora de sucessos e com direito a bis com os três MC´s assumindo baixo, guitarra e bateria. Todos ainda com suas roupas sociais. Um encerramento de classe para o TIM Festival.

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