Em cruzeiro, Roberto Carlos mostra ritmo de liberação

Roberto Carlos quebrou vários tabus pessoais durante o cruzeiro marítimo que realiza todo ano, entre sábado e quarta-feira, entre Santos (São Paulo) e Búzios (Rio de Janeiro): fez show em lua minguante e num dia 13 (que evitava há décadas), cantou num teatro com as paredes e o chão marrons (cor que detesta) e deixou que cantassem, no mesmo palco que ele, uma canção que tinha banido do próprio repertório: Quero que vá tudo pro Inferno, dele e de Erasmo, clássico maior do artista, do disco Jovem Guarda (1965). Roberto é um notório portador de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), o que acentua suas manias e superstições. Ele nem sequer pronuncia a palavra ?inferno?. O responsável pela proeza de cantar, com as bênçãos do Rei, a canção proibida durante o cruzeiro no navio Costa Fortuna, foi Rafael Malenotti, da banda gaúcha Acústicos e Valvulados. Rafael, que tem uma foto de Roberto tatuada no braço, estava visivelmente emocionado com o feito. Foi aplaudido entusiasticamente pelos fãs (cerca de 3 mil deles viajam no cruzeiro). Roberto ouvia tudo nos bastidores, satisfeito - ele próprio foi o responsável pelo convite ao jovem roqueiro Rafael. No dia anterior, o dançarino Carlinhos de Jesus já tinha dado uma aula de aeróbica ao som da canção, mas também pediu permissão antes ao soberano da MPB. ?Eu autorizei. O Carlinhos já está previamente autorizado?, disse Roberto. O biógrafo de Roberto Carlos, Paulo César Araújo (que está sendo processado pelo cantor), disse dessa música mítica do ?Rei?: ?Nenhuma música lançada antes ou depois teve a repercussão dela. Mexeu com os militares, igreja, público, universidades. E definiu Roberto como o rei da MPB?, disse Araújo. A mudança de atitudes do antes recluso Roberto Carlos surpreende até seus colaboradores mais próximos. Durante o cruzeiro marítimo, ele também cantou Negro Gato (de Getúlio Cortes, de 1966) em ritmo de funk carioca, acompanhado pelo MC Leozinho e por sete popozudas funkeiras.

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