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Em 31 de dezembro de 1970, Paul McCartney entrava com um processo contra os companheiros de Beatles

Mesmo com a dissolução oficializada há 45 anos, os Beatles são ainda o maior fenômeno pop

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2015 | 05h00

O mundo cantou - e ainda canta: tudo o que precisamos é amor. “All you need is love”, diziam Paul McCartney e John Lennon, desde junho de 1967, quando a canção homônima foi lançada. O fim da parceria do quarteto mais famoso da Inglaterra, formada ainda por George Harrison e Ringo Starr, contudo, não foi marcado pela mensagem amorosa. Pelo contrário. A partir de 31 de dezembro de 1970, há 45 anos, era iniciada uma batalha judicial entre Paul e o restante do Fab Four, encerrada apenas em 1975.

Em abril daquele ano, Paul e o restante do grupo já haviam comunicado o fim o sonho beatlemaníaco. Fãs que acompanharam a trajetória da banda ao longo da década de 1960 perceberam que, com a chegada de 1970, vinha também a ausência da maior banda do mundo. Yoko Ono, o empresário Allan Klein, brigas internas, falta de transparência nas contas auditadas da Apple, empresa criada pelo quarteto, foram as principais razões apontadas para a dissolução do grupo.

Desde abril, McCartney havia colocado um ponto final na relação com o restante dos Beatles em uma autoentrevista divulgada juntamente com seu primeiro trabalho solo, intitulado apenas com o seu sobrenome. Eram quatro páginas de texto, nas quais Macca dizia que o fim do grupo se devia a “diferenças pessoais, diferenças de negócios, diferenças musicais”. Não respondia se era uma decisão definitiva, mas afirmava não enxergar, em um futuro próximo, uma reedição da parceria com Lennon.

No último dia de 1970, o baixista e compositor de Liverpool assinou a ação judicial contra os três integrantes dos Beatles e deu entrada na papelada na High Court, em Londres. Os documentos que integram aquele processo, atualmente, são guardados no Arquivo Nacional da Inglaterra, uma hora de distância de Londres, ao lado de outros arquivos que marcaram a história do Reino Unido. O processo de Macca é depositado ali ao lado de outros papéis com mais de mil anos de idade. Isso evidencia como, em pouco menos de uma década, o legado do quarteto é relevante.

As diferenças entre os quatro Beatles já beiravam o insuportável no fim daquela década. Tensões artísticas, pessoais, nada ia bem entre Paul, George, Ringo e John. Abbey Road, disco de 1969, já foi gravado entre faíscas. Cronologicamente, o último álbum do grupo, Let It Be, nas prateleiras apenas após o encerramento das atividades do quarteto, foi gravado antes do trabalho anterior, mas seu lançamento também funcionou como fator determinante para o fim, assim como a atuação do então empresário da banda, Allen Klein, para com quem Macca tinha pouquíssimo apreço.

Klein, segundo detalhes dos arquivos do processo movido por McCartney revelados pela revista norte-americana Rolling Stone, havia usado sua influência na gravadora EMI, esta responsável por lançar os álbuns dos Beatles, para que adiassem a data de chegada às lojas do primeiro álbum solo do baixista, então marcada para 17 de abril de 1970, com a justificativa de que Let It Be também seria lançado naquele mês, assim como o disco Sentimental Journey, de Ringo. Executivos do selo entenderam que o turbilhão de trabalhos relacionados ao Fab Four enfraqueceria a venda e concordou com o pedido.

McCartney foi avisado da decisão por uma carta, assinada por Lennon e Harrison, na qual eles diziam se tratar de uma escolha de negócios, “nada pessoal”. Starr foi até a casa do baixista entregar o documento. Macca o leu, gritou com o companheiro de banda e o enxotou para fora da sua mansão. Starr foi o responsável por convencer o restante do grupo a deixar McCartney, o disco, sair antes de Let It Be.

Klein (sempre ele?) havia contratado Phil Spector para produzir o derradeiro álbum dos Beatles, sem o conhecimento de Paul. O produtor alterou as harmonias de The Long and Widing Road, para desespero do baixista - em 2003, foi lançado o álbum Let It Be... Naked, com versões alternativas daquelas canções, deixando muito do trabalho de Spector de fora.

Por falar em Klein, a nomeação dele para exercer a função de empresário foi duramente criticada por McCarrney desde o início. Havia diferenças entre os quatro integrantes, mas o fim do grupo levado à justiça se deu porque Paul não confiava no escolhido para substituir Brian Epstein, morto em 1967. Ringo, John e George votaram pela contratação de Klein, cujo currículo incluía os Rolling Stones; Macca, não. O relacionamento do baixista com Linda Eastman se tornava cada vez mais forte e ele entendia que o pai e irmão da moça, os advogados Lee e John Eastman, deveriam ser os responsáveis pelos negócios da maior banda do mundo. Foi voto vencido porque os outros três temiam que o baixista fosse favorecido pela dupla. No fim, a derrota foi amarga para todos.

Na ocasião do anúncio do fim, em abril, havia uma esperança de que os Beatles pudessem voltar a se reunir. Eram novos, afinal de contas. Paul tinha 28 anos, John, 30, George, 27, e Ringo, 31. A vida toda ainda estava diante deles - John morreu em 1980, George se foi em 2011. O processo do dia 31 de dezembro de 1970 colocou um ponto final severo na banda que influencia gerações até hoje. Lennon e Paul, que saudaram o amor, silenciaram, por fim. Como o próprio John cantou em God: “The dream is over”. O sonho havia mesmo chegado ao fim. 

Projetos comerciais do grupo cercam todas as frentes 

As duas mídias, a antiga e a nova, apresentam novidade dos Beatles. À nova, o streaming, o grupo anunciou há três dias que decidiu colocar sua obra para ser escutada em sites como Apple Music (que nada tem a ver com a gravadora da banda, a Apple Records) e o Spotify. Enquanto isso, o ‘velho’ formato recebe mais uma compilação. A bem tratada The Beatles - 1 chega em CD e DVD com as mesmas 27 músicas que foram ao topo das paradas do mundo. O mesmo projeto Beatles 1 saiu em 2000, com as tais canções, mas sem o mimo da vez, que são os vídeos restaurados. Há momentos gloriosos de se ver em bela definição e qualidade de som, como Hey Jude gravada para o programa de David Frost, em setembro de 1968. Antes de Paul aparecer ao piano, eles improvisam um som e tiram sarro do apresentador. / JULIO MARIA

Revolution

 Don't Let Me Down

Help

Ticket to Ride

I Saw Her Standing There

The Beatles One. 

27 músicas que foram ao topo. Em CD, DVD, CD+DVD, CD + 2 DVDs + Livro e Blu-Ray.

Preço médio do combo CD + DVD: R$ 77,90

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