Nayara Lucile/Divulgação
Nayara Lucile/Divulgação

Elza Soares em registro de arrepiar e show em SP

Com o espetáculo 'Arrepios', cantora se apresenta de forma mais intimista, acompanhada de violão e percussão

Lucas Nobile, de O Estado de S. Paulo,

11 de dezembro de 2009 | 03h00

Logo no início da entrevista, por telefone, Elza Soares demonstra ojeriza em falar sobre as ações inevitáveis do tempo. "Sabe qual minha idade? Bunda dura. Não bebo, não fumo, não cheiro, mas faço amor." Lembrando o famoso samba de Nelson Cavaquinho lançado na década de 1960, na voz de Roberto Ribeiro, cujos versos diziam "sei que estou no último degrau da vida", Elza rebate: "Estou no primeiro ainda. My name is now. Este é o País da maior ingratidão, aqui se você tem idade, você vai pra fila." É com tamanha espontaneidade e essa vitalidade gritante que a crooner mais longeva e atemporal da música brasileira se apresenta neste fim de semana no Teatro Fecap, na Liberdade, em São Paulo.

 

Depois de estrear no Rio de Janeiro, em agosto, o show intitulado Arrepios vai virar CD. Como de costume, as três apresentações no Teatro Fecap serão captadas. Se o resultado for satisfatório, o disco, que será lançado em março do ano que vem, sairá com esse registro ao vivo. Caso o resultado final apresente problemas, Elza segue para estúdio para gravar o mesmo repertório do show.

 

Diferente de seu último álbum, Beba-me - Elza Soares Ao Vivo (2007), em que a cantora gravou acompanhada por uma banda completa, desta vez ela sobe ao palco com uma formação reduzida, nem por isso menos completa em termos sonoros. Em um registro mais intimista, Elza cantará ao lado dos violões do arranjador João de Aquino e do filho dele Gabriel de Aquino, e do percussionista Felipe dos Santos. Opção da cantora em seguir um momento mais minimalista e econômico? "Muito pelo contrário. É uma fase muito mais audaciosa, musicalmente falando. Poucos têm o privilégio e o direito de soltar sua voz apenas com o violão e a percussão, pois você tem que mostrar a que veio, muito despida. Se eu pudesse, cantaria sem roupa", justifica.

 

Afirmações que não soem como excesso de confiança. São apenas forma de Elza expressar sua gratidão por uma carreira bem-sucedida, em grande parte amparada pelo violão e pelos arranjos cuidadosos de João de Aquino, com quem convive desde 1966. "Quando duas almas se encontram há uma luz. E quando duas vozes desfilam no mesmo patamar, como ocorrem com minha voz e com o violão de João, há uma organização e uma ligação astral muito grande. Eu tenho muito respeito por ele, e o chamo de meu Gran Mestre", comenta Elza.

 

E João de Aquino, faça-se justiça, tem grande peso na escolha do repertório do show e do futuro disco. Em uma saudável via de mão dupla com a cantora, muitas das sugestões partiram naturalmente do violão do arranjador. No fim das contas, o público poderá conferir um longo passeio por diferentes gêneros e diversos compositores brasileiros.

 

Na lista, estão, entre outras, Devagar com a Louça (Haroldo Barbosa e Luiz Reis), Antonico (Ismael Silva), Eu e a Brisa (Johnny Alf), Drão (Gilberto Gil), Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda (Lamartine Babo), e Juventude Transviada (Luiz Melodia), que será interpretada na sequência do único tema internacional do show, Cry Me A River (Arthur Hamilton). Destaque também para uma composição inédita de Elza, Zingara, definida por ela mesma como uma "bossa espanhola". "A música não tem princípio, nem fim. Eu tenho o direito de me renovar, sou audaciosa. Sou muito do hip hop, do funk, da big band. Pô, eu sou altamente porra louca, musicalmente falando, mas também faço música para se ouvir, gosto também desse lado romântico, mais cálido, orgasmo total."

 

Elza Soares. Teatro Fecap (400 lug.). Av. Liberdade, 532, 2626- 0929, Liberdade. Sexta, 10, e sábado, 21 h; dom., 19 h. R$ 50

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