Thiago Sabino|Divulgação
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Elza Soares e Fióti brilham, mas festival tem atrasos e cancelamento do show do Baiana System

Segundo a organziação do Satélite 061, em Brasília, chuva intensa prejudicou a montagem dos palcos e a passagem do som

Thiago Sabino|Divulgação
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João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2016 | 13h22

BRASÍLIA - Tinha tudo para ser uma noite perfeita, mas devido à forte chuva que desabou em Brasília na última sexta-feira, 23, o festival Satélite 061, realizado na capital federal neste sábado, 24, e domingo, 25, sofreu para finalizar a montagem dos dois palcos e, consequentemente, promover a passagem de som nos horários estipulados. Resultado: atraso em todas as apresentações e o cancelamento do show da banda Baiana System (leia abaixo o comunicado oficial do festival).

Entre junho e setembro, o tempo costuma ficar bastante seco na região centro-oeste. São Pedro, no entanto, tratou de mudar o cenário desértico com um temporal intenso no final da tarde de sexta, 23, e começo da manhã de sábado, 24. A chuva inesperada prejudicou a preparação dos palcos e as respectivas passagens de som. A banda Nova Raiz, do Distrito Federal, estava prevista para abrir o festival às 16h. O grupo, no entanto, só subiu ao palco principal às 19h30, quase quatro horas depois.

O efeito dominó dos atrasos ficou incontrolável. Para reduzir os danos e conter a impaciência do público, a performance de Consuelo, que aconteceria no sábado, às 22h15, foi remanejada para o domingo, 25. O show de Elza Soares, que encerraria a primeira noite da 5ª edição do Satélite 061, foi antecipado. Já passava da 1h30 quando a mulher do fim do mundo emergiu com sua voz de trovão para encantar os fãs persistentes que marcavam presença na Torre de TV, no Eixo Monumental.

Fióti, que deveria se apresentar às 21h, só conseguiu cantar às 3h. Antes dele, todavia, um comunicado: devido aos atrasos, o show da banda Baiana System, que tocaria por último, havia sido cancelado. O anúncio revoltou alguns fãs do grupo, que foram até a cidade só para assistir ao show. "Também estou muito chateado. Queria ver o Baiana, mas, infelizmente, não vai rolar. Lá no backstage tentamos ver uma possibilidade de fazermos alguma coisa juntos. Não rolou", desabafou Fióti, que fez uma apresentação mais curta do que o previsto.

Música. Polêmicas à parte, a primeira noite do festival Satélite 061 contou com ótimos shows. Fióti, o último a se apresentar, mostrou estilo e um bom arsenal de canções do recém-lançado Gente Bonita, seu primeiro EP. "Este é o meu terceiro show na vida. Vou pedir a ajuda de todos vocês para fazer isso", disse ele. As letras do irmão mais novo de Emicida não são duras e contudentes, como manda a fórmula do rap. Isso, entretanto, não quer dizer que o conteúdo seja leve, embora as canções de Gente Bonita estejam mais inclinadas para o samba. Mesmo com um show reduzido, Fióti mostrou versatilidade. Cantou ao lado de Emicida e a promissora Drik Barbosa. O paulistano também fez uma versão contagiante de Olha a Pipa, de Jorge Ben.

Elza Soares, grande atração da noite, também não decepcionou. O espetáculo A Mulher do Fim do Mundo mostrou uma Elza vibrante e de um timbre vocal incontestável. O disco, lançado em 2015, recebeu nesta semana duas indciações ao Grammy Latino: Melhor Álbum de Música Popular Brasileira e Melhor Canção em Língua Portuguesa pela música Maria da Vila Matilde. "Quero ouvir gritos. Vocês notaram como estão silenciosos hoje à noite?", brincou. Em A Carne, Elza deu o tem do que viria pela frente. Uma apresentação intensa, frenética e recheada de discursos contra o racismo, o machismo e a violência contra a mulher. "A mulher só deve gemer de prazer. Nenhuma mulher deve sofrer violência e ficar calada. Tem que gritar, berrar, colocar para fora", afirmou.

A boa surpresa do festival ficou por conta da paulistana Drik Barbosa. Ao lado de Mauro TeleFunkSoul (Bahia) e Confronto Soundsystem (Distrito Federal), a rapper já havia feito uma boa apresentação no palco secundário, o Radiofusão. Ao lado de Fióti, mostrou potência vocal e rimas fortes. "A gente gosta de falar sobre amor. Embora tudo que cantei aqui hoje fale das nossas dificuldades diárias e dos problemas, nós também temos um coração", disse ela ainda na apresentação no Palco Radiofusão.

O festival continua neste domingo, 25. As Bahias e a Cozinha Mineira, grupo formado em 2014, uma das grandes revelações da música brasileira nos últimos anos, traz ao Satélite 061 o aclamado disco Mulher. Donas de um show intenso, as vocalistas Raquel Virgínia e Assucena Assucena externam todas as formas de expressão feminina de maneira bastante visceral. Os cariocas do Autoramas também se apresentam. Com um rock dançante, eles trazem a Brasília o show do recém-lançado O Futuro dos Autoramas. A noite termina com a apresentação delicada de Gal Costa e seu Espelho d'Água.

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO FESTIVAL

O Festival Satélite061 - infelizmente - informa que o show da banda Baiana System teve que ser cancelado. A forte chuva atrasou o andamento do evento durante o sábado inteiro, causando um grande atraso na programação. Por esse motivo, acabamos ultrapassando o horário determinado. Devido a esse atraso, a banda Consuelo cedeu seu horário para a Elza Soares, que realizou um lindo show. Seguimos com a nossa programação, entretanto, por causa do horário, fomos pressionados e a banda Baiana System não pôde se apresentar. A Consuelo se apresenta hoje, 25, antes do Guizado. Nos desculpamos imensamente com todos os fãs do Baiana System que estiveram ontem na Torre e nos comprometemos a trazê-los novamente a Brasília em um outra oportunidade.

* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO DO FESTIVAL

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