Larry Morris/The New York Times
Larry Morris/The New York Times

Elvis Presley, o rei do rock, completaria 80 anos e mantém legado

Herança artística do músico permanece décadas depois de sua morte, em 1977; ele também foi ator de 31 filmes e documentários

João Paulo Carvalho, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2015 | 03h00

As costeletas já estão eternizadas. O jeito de dançar, mexendo os quadris de um lado para o outro, também. A figura mítica de Elvis Presley continua intacta, mesmo 37 anos após sua morte. O rei que completaria nesta quinta-feira, 8 de janeiro, 80 anos, ainda é a maior lenda do rock. As enérgicas Hound Dog e Suspicious Minds seguem animando as pistas de dança e, sem hesitar, fazem muitos marmanjos barbudos rebolarem até o chão de maneira desconcertante.

Dizem por aí que um rei jamais perde sua majestade e Elvis é a prova empírica disso. Bob Dylan costumava dizer que quando ouviu a voz do rei do rock pela primeira vez na vida, sabia que não ia mais receber ordens de ninguém. Nada de chefes. “Ele é o Deus supremo. Ouvir Elvis é como escapar da prisão. Eu agradeço a Deus todos os dias por Elvis Presley ter existido”, afirmou. John Lennon revelou certa vez que a história da música poderia ser dividida em dois tempos: antes e depois de Elvis Presley. “Não existia nada antes dele. Elvis era a nossa maior referência. Nada realmente me influenciou tanto.” Jim Morrison não economizou nas palavras para reverenciar o rei do rock. “Elvis será sempre o melhor e mais original. Ele abriu espaço para todos que viriam depois dele. Um gênio.”

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Mas, afinal de contas, como Elvis se tornou “rei”? Nascido em 8 de janeiro de 1935 na cidade de East Tupelo, no Mississippi, Elvis Aaron foi o único sobrevivente de dois filhos gêmeos do casal Vernon Elvis Presley e Gladys Love Smith Presley. Quando Elvis nasceu, os Estados Unidos viviam uma série de conflitos raciais e o Mississippi era considerado o centro das divergências entre brancos e negros. Em 1936, um furacão acabou devastando a cidade e pessoas de todas as raças se uniram para reconstruir a região. 

Desde os 10 anos, Elvis frequentou os cultos de Igrejas, o que influenciou sua formação musical. Em meio a dificuldades financeiras, chegou a trabalhar como lanterninha de cinema e motorista de caminhão.

That's All Right, Mama foi o primeiro grande sucesso de Elvis. A música encantou o dono da Sun Records assim que foi ouvida no estúdio. Pouco tempo depois, a canção era executada em todas as rádios da cidade de Memphis. I Forgot To Remember To Forget alcançou o topo das paradas de sucesso e em 1956 não tinha mais como negar: Elvis havia se tornado um fenômeno. 

Milionário e renomado, o rei do rock foi convocado pelo Exército dos Estados Unidos no dia 24 de março de 1958. Na época, a convocação era obrigatória e só foi abolida depois da Guerra do Vietnã. Sua mãe, Gladys, morreu um dia depois da volta do cantor para casa. Elvis começou sua trajetória de recruta em uma base no Texas e depois seguiu para a Alemanha, onde os EUA mantinham grande contingente ainda como consequência da II Guerra Mundial e da ocupação do país pelos Aliados. A trajetória de Elvis também foi completa no cinema. Longas como Ama-me Com Ternura (1956), Feitiço Havaiano (1961) e No Paraíso do Havaí (1966) marcaram sua carreira (leia mais abaixo).

Em 1969, após oito anos longe dos palcos, Elvis ressurgiu de forma triunfal e manteve os ritmos frenéticos das apresentações pelos Estados Unidos. Durante esse período, chegou ao ápice de sua carreira, com mais de mil show realizados. Para o desespero da mulheres da época, ele se casou com Priscila Presley e teve uma filha, Lisa. O casamento chegou ao fim em 1972. O rei do rock ainda se casaria pela segunda vez com a então Miss Tennessee, Linda Thompson. O matrimônio também não deu certo e acabou em 1976.

A trajetória do maior astro do rock chegou ao fim em 16 de agosto de 1977. Gordo e cada vez mais distante da forma esbelta que o consagrou, ele sucumbiu às drogas. Elvis, no entanto, continuou crescendo. Sua marca na história da música jamais será esquecida. O garoto pobre da cidade de East Tupelo nunca imaginaria que milhares de pessoas o imitariam ao redor do mundo. Os fãs mais alucinados do rei do rock tinham razão: Elvis Presley não morreu.

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Objetos pessoais do artista vão a leilão nos EUA

Dois aviões particulares usados por Elvis serão leiloados em uma disputa com lances fechados. A expectativa é de que a casa de leilões Julien's Auctions arrecade entre R$ 26 milhões e R$ 40 milhões. Elvis comprou o Convair 880 da Delta Air Lines em 1975, dois anos antes de morrer. Para homenagear a filha, a aeronave foi batizada como "Lisa Marie". Os lances podem ser feitos até 2 de fevereiro. O rei do rock gastou mais de 300 mil dólares para colocar quartos, uma sala de reuniões e um bar na aeronave. Com as cores azul, branco e vermelho, o jato leva a sigla "TCB" - "Takin' Care of Business" (cuidando dos negócios) na cauda. Os dois aviões não podem mais voar, mas ficam expostos para os visitantes de Graceland, a propriedade que abriga os bens deixados por Elvis Presley em Memphis, no Estado de Tennessee, nos Estados Unidos.

Além dos aviões, outras 68 peças de Presley serão vendidas no segundo leilão realizado hoje em Graceland. Entre os principais objetos estão o primeiro disco de Elvis Presley e sua carteira de motorista, emitida em março de 1952, quando ele tinha apenas 17 anos. / J.P.C.

Cinco clássicos para relembrar Elvis Presley:

Hound Dog

Always On My Mind

Love me Tender

Suspicious Minds

In the Ghetto

*

Um grande ator mal aproveitado? Palavra de Siegel

Por Luiz Carlos Merten

Don Siegel, um dos mestres (com Sergio Leone) de Clint Eastwood, jurava que Elvis Presley era muito bom ator, mas lamentava que tivesse tido poucas oportunidades de demonstrá-lo. O próprio Siegel dirigiu-o em Flaming Star/Estrela de Fogo, em 1960. Elvis fazia um mestiço que tentava manter sua família unida, evitando o confronto entre brancos e índios. O filme, um belo western, mostrava-o cada vez mais solitário, um personagem trágico tentando manter-se ético num mundo hostil.

Entre 1956 e 1970, Elvis interpretou 31 filmes, fora os documentários. Dá uma média de dois filmes por ano. Ele filmava muito e, para capitalizar a simpatia dos fãs, houve momentos em que as ficções se ajustavam ao roteiro de sua vida. Elvis foi servir o Exército numa base na Alemanha? Surgiu G.I. Blues/Saudades de Um Pracinha, de Norman Taurog. Foi o diretor que mais vezes trabalhou com o ‘rei’ – oito filmes. Talvez, se tivesse filmado mais com outros diretores, ele tivesse sido mais solicitado como ator.

Quando Elvis surgiu, seu rock colocou no palco a juventude rebelde. Hollywood foi na contramão do próprio mito que nascia. O primeiro longa, Ama-me com Ternura, de Robert D. Webb, mostrava-o como soldado confederado na Guerra Civil, disputando com o irmão o amor da bela Debra Paget. O terceiro e o quarto possuem admiradores – O Prisioneiro do Rock, de Richard Thorpe, e Balada Sangrenta, de Michael Curtiz. O décimo, Talhado para Campeão, de Phil Karlson, faz dele um pugilista, repetindo papel que Humphrey Bogart havia interpretado. São todos dramas com música, mas os melhores filmes de Elvis são obras de gênero.

O citado western de Siegel e um musical do especialista George Sidney. Em Amor a Toda Velocidade, de 1964, Elvis e Cesare Danova fazem pilotos de carros num hotel de Las Vegas, às voltas com a instrutora de natação Ann-Margret. Há um número realmente notável – The Lady Loves Me (But She Doesn’t Know Yet). O curioso é que um ano antes, e também com Ann-Margret, Sidney satirizara o mito em Adeus, Amor (Bye-Bye Birdie), sobre um roqueiro que deixa as fãs inconsoláveis ao partir para a guerra. Não deixa de ser Saudades de Um Pracinha de outro ângulo – com talento. / L. C. M.

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