Elomar faz única apresentação em São Paulo

Dois anos após sua última passagem pela cidade, o cantor e compositor baiano Elomar Figueira Mello está de volta a São Paulo. Ele faz única apresentação no Sesc Ipiranga, nesta quarta-feira, às 21h. O show conta com a presença do filho do cantor nos violões, o maestro e compositor João Omar, que acompanha o pai desde os nove anos.O cantor já esteve no Sesc de São José dos Campos, no dia 26, neste fim de semana em Campinas. Devido à grande procura por ingressos, é possível que Elomar permaneça até domingo na cidade, para mais uma apresentação. Ao contrário do que se espera, não há lançamento de CD, esta é apenas uma apresentação de carreira. Elomar ainda vai aproveitar sua vinda a São Paulo para tratar da renovação de seu contrato com a distribuidora Eldorado. Elomar, que considera a própria música como de resistência cultural, teve, aos sete anos, seus primeiros contatos com a música profana de menestréis errantes, como Zé Krau, Zé Guelê e Zé Serradô. Até então, ele só tinha ouvido a música eclesiástica do hinário cristão, do culto batista evangélico. Além da influência dos sertões, sua obra também é marcada pela música medieval.Aos 17 anos começaram a surgir suas primeiras composições literárias e musicais: Calundu e Kacorê, Samba do Jurema, logo após, Mulher Imaginária, Canção da Catingueira e abertura de O Retirante. Na época, ser tocador de viola ou sanfona era sinal de irresponsabilidade. Em 1969, Elomar termina sua primeira ópera , o Auto da Catingueira.Formado em arquitetura, o compositor chegou a exercer a profissão que abandonou, mais tarde, para dedicar-se unicamente à música. Foi então que compôs Fantasia Leiga para um Rio Seco, cuja escrita orquestral é assinada por seu amigo e patrício de sertão Maestro Lindembergue Cardoso. Só a partir de 1984 Elomar inicia sua "fase das óperas" e compõe A Carta, ópera em quatro cenas, O Prólogo de O Retirante, ópera em dois atos. Hoje, aos 61 anos, Elomar continua compondo intensamente, pois sente que não pode perder tempo, já que "a obra é imensa e o tempo já declina pela tarde".

Agencia Estado,

30 de outubro de 2000 | 13h00

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