Elis Regina revive na voz de sua filha

O público brasileiro acostumou-se, nos últimos tempos, a ver parte do legado de Elis Regina manifestar-se por meio do trabalho de seus dois rebentos. João Marcello Bôscolli, o mais velho, é diretor-artístico da gravadora Trama, uma das mais atuantes do mercado, e vez ou outra incursiona pela televisão, geralmente no comando de programas dedicados à MPB. O filho do meio, Pedro Mariano, com dois CDs na bagagem, usa o suingue de sua voz encorpada para navegar tranqüilo ao posto de grande soulman branco do País. E agora, ao que tudo indica, a filha caçula e mais reclusa de Elis, Maria Rita, de 23 anos, começa a se aproximar do microfone para - e aqui o lugar-comum merece perdão - provar que quem sai aos seus não degenera. Maria Rita, filha de Elis e do músico Cesar Camargo Mariano, tinha apenas 4 anos quando a mãe morreu, em 1982. Pouco tempo depois, mudou-se para os Estados Unidos, onde vive até hoje. Nos últimos anos, tornaram-se comuns referências aos dotes vocais da garota. Maria Rita teria cantado em uma festa da escola e levado o público às lágrimas, diziam uns. Maria Rita chegou a gravar uma fita demo nos Estados Unidos, afirmavam outros. Até que, no fim do ano passado, uma sessão de gravação no MCR, um estúdio de áudio no bairro do Bexiga, em São Paulo, permitiu que, mais consistente e límpida que as lendas e a herança genética, emergisse finalmente a voz de Maria Rita Camargo Mariano. "E que voz", derrama-se Sérgio Campanelli, um dos proprietários da MCR. "Não é que ela apenas cante, ela canta maravilhosamente bem. Há muito tempo que eu não ouvia alguém com uma voz tão excepcional", prossegue Campanelli, que traz no currículo trabalhos com Tom Jobim e Ray Charles. "Mas estas gravações não passam de um ensaio, é um projeto sigiloso de Maria Rita. Ela ainda não sabe que caminho tomar musicalmente. Por enquanto, sabe apenas o que não quer fazer."Leia mais

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.