Elis, 60 anos sem se perder no tempo

Elis Regina (1945-1982) faria 60 anos hoje. O que importa levar em consideração é o legado de uma das mais brilhantes personagens da cultura moderna brasileira. A voz de Elis não parou na transversal do tempo. E por ocasião do aniversário, isso será ressaltado nas homenagens. A rádio Eldorado dedicou sua programação musical à cantora. Hoje às 23h30, a TV Cultura exibe o programa Ensaio, gravado em 1973, com direção de Fernando Faro. No domingo, às 20h30, as cantoras Célia, Jane Moraes e Márcia Peres, ao lado do Dino Barioni Trio, comemoram no Café Piu Piu (Rua Treze de Maio, 134, tel. 3258-8066, R$ 12) os 30 anos do espetáculo Falso Brilhante. A realização é da Associação Brasileira Elis em Movimento, que há 23 anos vem organizando e mantendo acervo e promovendo shows em memória da cantora. A evidência do interesse que Elis continua a despertar está no sucesso de crítica e público do DVD Ensaio, o primeiro da cantora. Lançado pela Trama em novembro, já chegou à marca de 62 mil cópias vendidas. Levando em consideração que Elis não está mais aí para se esgoelar nos gugus e faustões, a marca é mais do que respeitável. A versão remixada do clássico Elis & Tom (1974), em CD e DVD-áudio, ter fisgado 46 mil compradores é outra façanha. Não há como negar que a ascensão meteórica de sua filha Maria Rita deve-se em parte ao saudosismo dos fãs da mãe. As semelhanças na voz e na postura são testemunhos de sua influência. "Elis chegou numa forma de canto que permanece contemporâneo. Tinha cadência, suingue e afinação fora do comum, além do timbre que era só dela", avalia João Marcello Bôscoli. "Não é saudável para nenhuma cantora se comparar a ela, mas observar e tirar lições." Bôscoli diz que sua missão é fazer qualquer coisa por Elis. O próximo passo é a remixagem do álbum Essa Mulher, de 1979, nos moldes de Elis & Tom, de impecável resultado. Essa Mulher, em fase final de negociação da Trama com a Warner, está programado para sair no segundo semestre. Elis teria muito de datas redondas a comemorar, além dos 60 anos dela e os 30 do segundo filho, Pedro. Há 40 anos, no dia 6 de abril, ela vencia o I Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Excelsior, cantando Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. No dia 19 de maio estreou na TV Record, ao lado de Jair Rodrigues, o programa semanal O Fino da Bossa, uma referência da melhor música brasileira da época. Em 1965, Elis também lançou seus primeiros discos pela Philips - um solo, um com Jair e outro com o Zimbo Trio -, deixando definitivamente para trás a imagem de adolescente. Dez anos depois provocaria rebuliço no conceito de produção de show musical com o histórico Falso Brilhante, dirigido por Miriam Muniz e com cenários e figurinos de Naum Alves de Souza. O show estreou no dia 17 de dezembro de 1975 no Teatro Bandeirantes e ali permaneceu durante 14 meses, com uma média de 1.500 pessoas por dia. Inesquecível. Veja discografia completa de Elis

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